Deixo meu registro de reconhecimento e admiração por dois mui queridos premiados, mais uma vez, nesta edição: salute Pasquale, salute Yokoyama.
domingo, 20 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Não Deixe para Amanhã o que se Pode Fazer...
Oggi! Uma descoberta! E uma boa descoberta nessa minha "fase vinhos". Bom, minha vida acabou depois que eu bebi o Farnese Edizione - um vinho italiano feito com cinco uvas da região de Abruzzi. Eu era feliz e não sabia. Daí pra frente foi ladeira abaixo, resolvi ler o "Billionaire's Vinegar" que conta uma boa parte da história dos vinhos franceses e desde então esse tem sido um ralo de dinheiro... Mas voltando ao objeto do post, o Oggi é um restaurante diferente. Ele fica numa espécie de vila em plena Av. Faria Lima e é colado a uma loja de vinhos, por sinal muito boa, que se chama Gran Vin. Ele se destaca por duas características, inicialmente: por ter um cardápio com sugestões de harmonização (uma lista de vinhos sugeridos para cada prato do menu) e por você poder comprar o vinho na loja (com o preço de loja e não de restaurante) e levá-lo à mesa.
Na primeira vez que estive lá, pedi o famoso filet mignon com risotto e tive uma surpresa... Fazia tempo que não comia uma versão tão caprichada desse prato tão simples. O molho de vinho com o sabor no lugar certo, com aquele fundinho adocicado, o filet grelhado no ponto exato, ainda molhado e o risotto consistente e al dente como poucos que comi em restaurante - tudo isso acompanhado de um serviço primoroso, num nível de atenção que há muito tempo não via. Enfim, receita certa para retornar. Na segunda vez que fui, pedi um prato do festival de polentas deles: polenta mole com ragú de vitela. Não sei dizer o que era melhor, se eu estava com saudades do filet ou se aquela polenta era a mais perfeita que já tinha pousado em meu prato. Enfim, mais argumentos para voltar lá e tirar a prova.
E último detalhe, me chamou a atenção a cozinha exposta deles, onde se pode ver os pratos sendo finalizados.
JLN
Oggi Cucina & Vino - Av. Faria Lima, 4.433, Vila Olímpia - (11) 2843-8888
Na primeira vez que estive lá, pedi o famoso filet mignon com risotto e tive uma surpresa... Fazia tempo que não comia uma versão tão caprichada desse prato tão simples. O molho de vinho com o sabor no lugar certo, com aquele fundinho adocicado, o filet grelhado no ponto exato, ainda molhado e o risotto consistente e al dente como poucos que comi em restaurante - tudo isso acompanhado de um serviço primoroso, num nível de atenção que há muito tempo não via. Enfim, receita certa para retornar. Na segunda vez que fui, pedi um prato do festival de polentas deles: polenta mole com ragú de vitela. Não sei dizer o que era melhor, se eu estava com saudades do filet ou se aquela polenta era a mais perfeita que já tinha pousado em meu prato. Enfim, mais argumentos para voltar lá e tirar a prova.
E último detalhe, me chamou a atenção a cozinha exposta deles, onde se pode ver os pratos sendo finalizados.
JLN
Oggi Cucina & Vino - Av. Faria Lima, 4.433, Vila Olímpia - (11) 2843-8888
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Pra quem não gosta de peixe
Sempre fui muito resistente a incorporar peixes, crustáceos & afins no meu cardápio. Desde criança, o gosto de mar nunca caiu bem ao meu paladar. Comecei a quebrar esta barreira sem sentido já velho, com algumas experiências bem sucedidas em alguns restaurantes onde não havia outra possibilidade de escolha.
Um desses restaurantes é o Compagnia Marinara, no Alto de Pinheiros. Já era um comensal até que regular de alguns pratos "aquáticos", mas nunca havia encontrado um lugar que justificasse trocar uma massa ou carne por um peixinho qualquer. Há dois anos fui convidado para um almoço de negócios neste endereço. Até havia opções de alternativas aos pescados, mas achei que seria uma boa oportunidade para ampliar meu leque de experiências neste segmento - até porque trata-se de um restaurante especializado no tema. Experimentei um peixe simples, muitíssimo bem feito, que classifico como a melhor porta de entrada para os que (ainda) são resistentes ao cardápio "aquático".
Este prato é o meu uniqueness deste post. Trata-se de um simples e delicioso Filé de Pescada Siciliano. Duas postas grossas de pescada branca (às vezes substituida por Linguado), acompanhadas de um molho a base de limão siciliano, azeitonas verdes, batatas e azeite de oliva. Numa pequena panelinha de bronze, à parte, vem um saboroso refogado de escarola, que orna perfeitamente com o prato. Para acompanhar, recomendo um Chardonay argentino, da Angela Zapata, preferencialmente das safras 2005 0u 2007. Um belo, simples, leve e saboroso prato para quem não quer sair pesado da mesa, ainda mais num dia de semana. Estive por lá umas 2 ou 3 vezes depois dessa primeira experiência - e repeti o mesmo cardápio...
Continuo sem suportar a idéia de comer camarão, peixes ensopados ou o indefectível salmão ao molho de qualquer coisa, mas já posso dizer que gosto de pescados. Não gosta de peixe e quer corrigir essa falhade caráter gastronômico? Experimenta este prato.
Compagnia Marinara - Av. São Gualter, 777 - Alto de Pinheiros - SP
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Chutando o "poste" da Barraca...
Aproveitando o embalo da ida do Soderi ao Parigi, resolvi contar uma historinha que inicialmente não iria postar... Não quero parecer arrogante ou nada do tipo, por isso pensei 10 vezes antes de postar isso. Mas como o propósito do nosso singelo e humilde blog é investigar, vamos a mais esta experiência.
Esse tem sido um ano interessante para mim, do ponto de vista turístico. Tive a oportunidade de rever Nova Iorque no início do ano e agora em Julho, graças à portaria da ANAC que abriu concorrência nos preços de passagens internacionais, pude ir a Paris. Estive em Paris apenas uma vez antes, em 1997, mochilando. Me acabei de comer croissant e crepe. Dessa vez decidi que seria um pouco melhor... Nada contra os croissants e os crepes.
Vamos ao que interessa. Fiz uma extravagância gastronômica do maior calibre possível sem pensar no rombo do cartão de crédito depois, afinal, como diz o ditado do viajante, "quem converte não se diverte." Resolvi que experimentaria a tal da Haute Cuisine francesa, pra entender os porquês de falarem tanto dela. Pesquisei alternativas, ponderei avaliações, pensei bastante e o restaurante escolhido foi o L'Atelier de Joël Robuchon. Bom, esse senhor é um dos poucos Chefs 3 estrelas do Guia Michelin (depois eu posto sobre isso, pra explicar um pouco do que se trata). Em Paris ele tem três restaurantes. Um dos motivos desse ter sido o escolhido é o fato de que neste a cozinha é exposta, já que ele não tem mesas, você come sobre um balcão que circunda a área de preparação. Portanto você olha tudo o que acontece e vê os chefs e cozinheiros preparando sua comida - numa cozinha francesa, isso pode ser um espetáculo.
Esse talvez seja o post mais difícil que eu já escrevi, porque tudo, desde a espera no lobby de um hotel, numa rua típica parisiense, foi uma experiência memorável. Ao entrar no restaurante e ver as pessoas lá dentro, preparando inúmeros pratos, como peças de um relógio, silenciosamente e coordenadamente é realmente de arrepiar. Me sentei então na lateral do balcão e me foi entregue o menu. Ele era dividido em duas partes, uma que era a degustação (você seleciona 5 pratos do menu e eles vêm todos em porção reduzida, assim você experimenta um pouco de cada coisa) e a outra que era o menu de fato, com os pratos e opções. Fui para a segunda parte.
Escolhi a entrada, um prato principal e a sobremesa. Pura poesia. Realmente as quantidades são pequenas, mas o prato é preparado como uma obra de arte. Escolhi de entrada o L'oeuf cocotte, dificílimo de explicar. Veio numa taça de dry martini, parecia mais um drink... Achei interessante, algumas texturas diferentes, mas até aí, era ovo. Passei então para o prato principal e aí a brincadeira começou. Bom, num restaurante francês pela primeira vez, eu tinha que pedir o tal do foie gras. O que, nesta pequena iguaria, pode ser tão incrível? Realmente não sei dizer, só sei que o cara que inventou de misturar o tal do fígado de ganso com as trufas da Itália realmente é um dos grandes gênios da humanidade. Aí eu entendi finalmente o porquê do prato ser tão pequeno. Como todo grande prazer na vida, ele dura pouco. Mas vale cada fração de segundo! O purée com trufas era uma coisa indescritível que, quando combinado com os pequenos pedaços de foie gras cuidadosamente cortados por minha faca, criam uma sensação dentro da boca que eu realmente não poderia imaginar, antecipar e/ou reproduzir de outra forma. E para acompanhar tudo isso, claro, um "vinho nacional" de Bordeaux: um Haut Mazeris 2005 cuidadosamente experimentado ao ser aberto pela sommelier da casa que após certificar-se de que o líquido estava bom, despejou-o em taças largas.
Por fim, como se isso fosse possível, veio a sobremesa. Um tipo de eclair bem delicado, com um creme de baunilha inacreditável, coberto por uma fina cúpula de chocolate, que, ao ser servido, recebe uma pequena jarra de mais chocolate quase incandescente. O resultado é que quando o líquido quente encontra a cúpula, ela aos poucos se derrete sobre o eclair. Vou parar por aqui, porque é praticamente uma tortura me lembrar daquilo.
Saí de lá feliz e pobre. Após pagar a fatura do cartão de crédito em prestações, posso dizer que foi, de fato, uma experiência gastronômica que nunca será esquecida - talvez a minha maior.
JLN
L'Atelier de Joël Robuchon - 5, rue de Montalembert, Paris 7th arrondissement.
sábado, 4 de julho de 2009
Paris, belo!

Seguinte: chuto o balde, para fechar em alto estilo o semestre neste blog. Depois de uns dois anos longe de suas mesas, voltei ao Parigi para um business lunch. Almoço longo de sexta-feira, com direito a entrada, dois pratos (santa gula), sobremesa e cafezinho. Pulo as partes modorrentas e repetitivas, normalmente presentes em resenhas dos restaurantes do grupo Fasano, e vou direta aos pontos: um filé de linguado ao molho bernaise, acompanhado de risoto de aspargos, divino como deveriam ser todos os filés de linguado ao molho bernaise. Para beber, um riesling alemão de cair o queixo.
Segundo prato, se é que precisava, foi um filé com foie gras, coberto com molho de trufas. Harmonizado com um Barollo 1995, divino. Sem comentários, sem comparações, sem nada mais além do gosto do banquete que persiste na boca por algumas horas. De sobremesa, o clássico creme brulee, igualmente sensacional.
Entre lágrimas (disfarçadas, para não pegar mal), pedimos a conta - paga pelo amigo convidante, que insistiu para assumir sozinho a despesa. Reclamei por puro charme, mas não achei nada mal, já que a esbórnia passou dos 500 paus...
Parigi - Rua Amauri, 275.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Boa comida carioca
Não muito tempo atrás falávamos que a gastronomia carioca limitava-se a um ou dois restaurantes de hotel, à comida de boteco (que paulistanos importaram, melhoraram e consolidaram como modelo) e ao famigerado Porcão, versão praiana do rodízio multi-carnes (badalado por jogadores de futebol e pagodeiros, caro e inferior ao menor rodízio das marginais de SP).
Mas a capital turística do país virou o jogo de 5, 10 anos prá cá e resolveu tratar melhor do estômago dos que visitam suas paisagens. Entenderam que nem só de praia, biscoito Globo e mate com limão vivem os turistas...
Passei um fim de semana gastronômico no Rio de Janeiro e experimentei dois bons restaurantes, um no Leblon e outro em Santa Teresa. O Garcia & Rodrigues fica na Ataulfo de Paiva, miolo do Leblon. É uma rotisserie/confeitaria com um restaurante no fundo, de cozinha variada e ótima adega de vinhos. Pedi um cordeiro ao molho de ervas, acompanhado de legumes puxados no molho da carne. Bom, quase ótimo. A Fê experimentou um bife de chorizo ao molho bearnaise acompanhado de ótimas batatas fritas. A carne levou 5 e meio (estava meio passada demais) e a batata passou com louvor. Outra boa nota foi o couvert, com pães divinos e patês idem. A sobremesa passou desapercebida (nem lembro o que pedi...). Minha cocnlusão é que trata-se de um restaurante honesto, sem nada excepcional, com uma ótima confeitaria na entrada.
No dia seguinte almocei no Aprazível, em Santa Teresa. A dica número 1 é: esqueça o bondinho e vá de táxi. Você vê o mapa, acha que dá para descer do bonde e andar um pouco a pé até o restaurante e toma um susto. O restaurante fica numa rua que só se sobe com equipamento de alpinista. Agora, o lugar é lindo, muito simpático, bem montado numa casa antiga no alto do morro. O couvert de entrada é um desbunde, com pequenas e deliciosdas porções-de-tudo-um-pouco... O vinagrete de vôngoles, regado com azeite de alho, sobre um pão quentinho poderia ser o prato principal. Pedi uma galinhada caipira: arroz de frango com linguiça mineira, acompanhada de chicória, feijão especial e banana da terra. Muito bom, acima da média. A Fernanda atacou de lasanha campesina: mix de 3 cogumelos e alho poró, ao molho bechamel. Delícia que tentei repetir em casa dia desses e quase acertei. De sobremesa, uma banana ao forno com sorteve e vinho do Porto que não honrou os pratos principais. O restaurante tem um cardápio variado e instigante. Fiquei com vontade de quero-mais...
Só para não deixar passar batido: amobos têm preços de S. Paulo... No primeiro, com couvert, prato principal, sobremesa e um tinto chileno (Casa Carmen), deixei 300 pilas. No do morro, sem vinho e sem contar o táxi, foram 180 paus.
Garcia & Rodrigues - Rua Ataulfo de Piava, 1251 - Leblon - RJ
Aprazível - Rua Aprazível, 62 - Santa Teresa - RJ
Mas a capital turística do país virou o jogo de 5, 10 anos prá cá e resolveu tratar melhor do estômago dos que visitam suas paisagens. Entenderam que nem só de praia, biscoito Globo e mate com limão vivem os turistas...
Passei um fim de semana gastronômico no Rio de Janeiro e experimentei dois bons restaurantes, um no Leblon e outro em Santa Teresa. O Garcia & Rodrigues fica na Ataulfo de Paiva, miolo do Leblon. É uma rotisserie/confeitaria com um restaurante no fundo, de cozinha variada e ótima adega de vinhos. Pedi um cordeiro ao molho de ervas, acompanhado de legumes puxados no molho da carne. Bom, quase ótimo. A Fê experimentou um bife de chorizo ao molho bearnaise acompanhado de ótimas batatas fritas. A carne levou 5 e meio (estava meio passada demais) e a batata passou com louvor. Outra boa nota foi o couvert, com pães divinos e patês idem. A sobremesa passou desapercebida (nem lembro o que pedi...). Minha cocnlusão é que trata-se de um restaurante honesto, sem nada excepcional, com uma ótima confeitaria na entrada.
No dia seguinte almocei no Aprazível, em Santa Teresa. A dica número 1 é: esqueça o bondinho e vá de táxi. Você vê o mapa, acha que dá para descer do bonde e andar um pouco a pé até o restaurante e toma um susto. O restaurante fica numa rua que só se sobe com equipamento de alpinista. Agora, o lugar é lindo, muito simpático, bem montado numa casa antiga no alto do morro. O couvert de entrada é um desbunde, com pequenas e deliciosdas porções-de-tudo-um-pouco... O vinagrete de vôngoles, regado com azeite de alho, sobre um pão quentinho poderia ser o prato principal. Pedi uma galinhada caipira: arroz de frango com linguiça mineira, acompanhada de chicória, feijão especial e banana da terra. Muito bom, acima da média. A Fernanda atacou de lasanha campesina: mix de 3 cogumelos e alho poró, ao molho bechamel. Delícia que tentei repetir em casa dia desses e quase acertei. De sobremesa, uma banana ao forno com sorteve e vinho do Porto que não honrou os pratos principais. O restaurante tem um cardápio variado e instigante. Fiquei com vontade de quero-mais...
Só para não deixar passar batido: amobos têm preços de S. Paulo... No primeiro, com couvert, prato principal, sobremesa e um tinto chileno (Casa Carmen), deixei 300 pilas. No do morro, sem vinho e sem contar o táxi, foram 180 paus.
Garcia & Rodrigues - Rua Ataulfo de Piava, 1251 - Leblon - RJ
Aprazível - Rua Aprazível, 62 - Santa Teresa - RJ
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Segunda chance
Há uns três ou quatro anos visitei o Bananeira, no Morumbi. Fui numa noite, na semana da inauguração. Talvez por estar muito no começo da operação, a experiência foi caótica: atendimento ruim, cardápio medíocre, preços desajustados.... Até luz faltou naquela noite.
Como sou um cara do bem e não guardo rancor de ninguém, resolvi voltar lá para o almoço de sábado. Todo mundo merece uma segunda chance...
Aos sábados, pra variar, eles servem um buffet de feijoada. Pulei fora, por motivo já explicado em post anterior - cada um no seu quadrado. Fui num prato regional, carne seca desfiada na manteiga de garrafa com baião de dois (arroz com feijão verde, pimenta biquinho e queijo coalho). Boa apresentação e ótimo sabor. Surpreendente. A Fernanda pediu uma ainda melhor picanha com farofa de banana da terra e palmito pupunha salteado. Carne no ponto e acompanhamentos muito bem executados. Valeu a pedida.
O fechamento foi ainda melhor. As sobremesas ganharam minha menção de uniqueness, em duas versões. Um pout pourri de doces de banana (sorvete, doce cremoso, pastel de banana com canela pé de moleque e creme brule de banana com gengibre) para mim e banana flambada na cachaça e suco de laranja, com sorvete de tapioca e raspas de côco para a Fê. Muito boas e valem a viagem.
A segunda chance do Bananeira abriu uma brechinha de esperança no deserto gastronômico que é o Morumbi...
Bananeira - R. Mal. Hastimphilo de Moura, 417 - Morumbi - SP - www.bananeiramorumbi.com.br
Como sou um cara do bem e não guardo rancor de ninguém, resolvi voltar lá para o almoço de sábado. Todo mundo merece uma segunda chance...
Aos sábados, pra variar, eles servem um buffet de feijoada. Pulei fora, por motivo já explicado em post anterior - cada um no seu quadrado. Fui num prato regional, carne seca desfiada na manteiga de garrafa com baião de dois (arroz com feijão verde, pimenta biquinho e queijo coalho). Boa apresentação e ótimo sabor. Surpreendente. A Fernanda pediu uma ainda melhor picanha com farofa de banana da terra e palmito pupunha salteado. Carne no ponto e acompanhamentos muito bem executados. Valeu a pedida.
O fechamento foi ainda melhor. As sobremesas ganharam minha menção de uniqueness, em duas versões. Um pout pourri de doces de banana (sorvete, doce cremoso, pastel de banana com canela pé de moleque e creme brule de banana com gengibre) para mim e banana flambada na cachaça e suco de laranja, com sorvete de tapioca e raspas de côco para a Fê. Muito boas e valem a viagem.
A segunda chance do Bananeira abriu uma brechinha de esperança no deserto gastronômico que é o Morumbi...
Bananeira - R. Mal. Hastimphilo de Moura, 417 - Morumbi - SP - www.bananeiramorumbi.com.br
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Boa Proposta, Execução Razoável...
Há umas duas semanas eu e o Soderi resolvemos almoçar em algum lugar novo para os dois. O que faria deste almoço o primeiro post compartilhado do Blog. Já desbravamos juntos (com respectivas famílias) antes, mas na oportunidade não chegamos a um consenso e acabamos não postando. Dessa vez a impressão foi mais homogênea. O almoço apontou para o Caverna Bugre (onde comeríamos o tradicionalíssimo Filet Alpino - já comentado aqui), mas infelizmente o encontramos fechado para o almoço. Apontamos então para o Pret Café (também já comentado neste humilde e singelo blog), mas antes de chegarmos lá, passamos na frente deste simpático estabelecimento chamado Paris 6. Resolvemos parar.
O local é bonito, bem montado, charmoso. Fica no meio da Haddock Lobo, num endereço simpático. Tem área aberta e outra fechada, para todos os gostos. O dia estava bom, sentamos fora. Logo vem uma bela cesta de pães e o atendimento é excelente. O cardápio é de Bistrô, portanto bastante Francês. Até aquele momento nossas expectativas estavam altas. Pedimos então uma porção de pastéis de brie (o mais próximo que eles têm de alguma coisa de boteco). Vieram excelentes, quentes, crocantes, mas sinceramente, nada de mais. Um bom pastel de queijo. Partimos então para o prato principal. O Soderi pediu um risotto de cogumelos e eu optei pelo Steak Tartar de filet mignon (um clássico de Bistrô).
O Steak Tartar ganhou classificação positiva, já que veio como descrito no cardápio: filet mignon picado em ponta de faca e não moído. Interessante, dá outra textura para o prato. Eu gostei bastante. Faltaram talvez as torradas, neste caso substituídas por batatas fritas.
O prato do Soderi, deixo para ele descrever pessoalmente. E aí você, caro leitor, decide se o custo/benefício está numa proporção aceitável para o seu bolso.
JLN
PS: Um dia eu ainda aprendo a tirar a foto do lugar enquanto eu ainda estou lá...
Experimentei um convidativo e pretencioso Riz de Cépes a L'Huille de Truffes - ou simplesmente risoto de cogumelos ao azeite trufado, como já bem traduziram os franceses radicados em S. José do Rio Pardo... Gostoso, mas com alguns deslizes básicos, na humilde opinião deste comensal. Estava molhado demais, quase ensopado (pressa do franco-cearense Jean Sebastian da Silva, piloto da cozinha?) e o azeite trufado passou muito longe da receita. Pena, pois o prato é simples e prometia honrar a fama dos bons bistrôs franceses. Do resto, endosso os comentários do João: lugar charmoso, bem localizado, cardápio variado, abre 24 horas... Ainda não encontramos um uniqueness que bem classifique o lugar, mas não risco a novidade do meu caderninho de opções. Quem sabe em um novo dia, com uma nova pedida?
Paris 6 Bistrô (24 horas) - Rua Haddock Lobo, 1240. http://www.paris6.com.br
segunda-feira, 23 de março de 2009
Especiarias & cerveja australiana
Fui apresentado à cozinha marroquina pelas mãos de Dinah Doctors, chef e proprietária do restaurante Tanger. Há uns bons 10 anos ela abriu a casa na Vila Madalena e fincou raízes, com sua competência e simpatia. Eu fui amigo do marido dela, Felipe Doctors, um artista caprichoso que nem viu o restaurante nascer e foi-se mais cedo, para fazer arte lá no céu. Ele desenhava peças com tamanho cuidado nos detalhes que era muito difícil não se render às suas criações. Como dizia um famoso taxista baiano que conheci faz tempo, “deus não quer nada mal feito...”.
Sem Felipe, Dinah abriu o Tanger e passou a compartilhar suas receitas marroquinas, como o Cuscuz Royal – único prato que pedi neste restaurante até hoje, nas N vezes que estive por lá. É um desbunde. Tem uma combinação de sabores que somente fazem sentido à luz da milenar cultura árabe-africana. Ë memorável o ritual de saborear o prato, regando-o com o caldo que o acompanha, experimentado as pimentas variadas... tudo isso num cenário muito bonito, ideal para jantares entre casais...
Um outro amigo comum, num desses memoráveis jantares no Tanger, me apresentou uma combinação inusitada: cuscuz (ou cuscus?) marroquino com cerveja. De preferência, cerveja australiana, como a Fosters, que faz parte do cardápio de bebidas do Tanger. Não é que combina?
Tanger – Rua Fradique Coutinho, 1664 – Vila Madalena (www.restaurantetanger.com.br)
Sem Felipe, Dinah abriu o Tanger e passou a compartilhar suas receitas marroquinas, como o Cuscuz Royal – único prato que pedi neste restaurante até hoje, nas N vezes que estive por lá. É um desbunde. Tem uma combinação de sabores que somente fazem sentido à luz da milenar cultura árabe-africana. Ë memorável o ritual de saborear o prato, regando-o com o caldo que o acompanha, experimentado as pimentas variadas... tudo isso num cenário muito bonito, ideal para jantares entre casais...
Um outro amigo comum, num desses memoráveis jantares no Tanger, me apresentou uma combinação inusitada: cuscuz (ou cuscus?) marroquino com cerveja. De preferência, cerveja australiana, como a Fosters, que faz parte do cardápio de bebidas do Tanger. Não é que combina?
Tanger – Rua Fradique Coutinho, 1664 – Vila Madalena (www.restaurantetanger.com.br)
Não é pra repetir - ¿Que pasa?
Preços dos restaurantes de SP. O João já trouxe esta pauta ao nosso blog dia desses. Tomei uma tungada sábado retrasado e resolvi voltar ao tema. Se a inflação está de fato sob controle, menos de dois dígitos ao ano, alguém precisa avisar aos proprietários das bodegas que, do jeito que a coisa vai indo, tá ficando cada vez mais difícil “comer fora” nesta cidade.
Acordei com vontade de carne. Sabe quando vc sente o gosto de sangue na boca? Pois é. Vontade brava, quase indecente. Pensei em encarar um rodízio completo. Poderia ter ido ao Fogo de Chão, escolha óbvia. Resolvi experimentar (afinal, o espírito deste blog é investigativo, não?). Peguei a Rebouças congestionada e desci no Vento Haragano. Fazia tempo que queria experimentar os assados dessa casa argentina.
Bons cortes, ótimo atendimento, mas sem nenhum destaque, nenhum uniqueness. Nem o famoso (?) arroz carreteiro (que só vem à mesa se vc pedir ao garçom) vale a viagem e a Rebouças. Momento marcante é a conta: 260 paus, incluindo 10% de serviço, para um almoço com dois comensais. Sem álcool. O rodízio custou 85 dinheiros por cabeça. Sobremesa, um insosso creme de papaya, 20 paus cada taça. Refrigerantes, cafezinho, 10%... Quase trezentas pilas para um almoço mais-ou-menos? Deveria ter ido ao Fogo de Chão. Lá somos roubados conscientemente. Sabemos que cada garfada de picanha vai custar uns 20 mangos. Mas vale a pena. Esse Vento Haragano, como diz a avó do João, não é pra repetir.
Acordei com vontade de carne. Sabe quando vc sente o gosto de sangue na boca? Pois é. Vontade brava, quase indecente. Pensei em encarar um rodízio completo. Poderia ter ido ao Fogo de Chão, escolha óbvia. Resolvi experimentar (afinal, o espírito deste blog é investigativo, não?). Peguei a Rebouças congestionada e desci no Vento Haragano. Fazia tempo que queria experimentar os assados dessa casa argentina.
Bons cortes, ótimo atendimento, mas sem nenhum destaque, nenhum uniqueness. Nem o famoso (?) arroz carreteiro (que só vem à mesa se vc pedir ao garçom) vale a viagem e a Rebouças. Momento marcante é a conta: 260 paus, incluindo 10% de serviço, para um almoço com dois comensais. Sem álcool. O rodízio custou 85 dinheiros por cabeça. Sobremesa, um insosso creme de papaya, 20 paus cada taça. Refrigerantes, cafezinho, 10%... Quase trezentas pilas para um almoço mais-ou-menos? Deveria ter ido ao Fogo de Chão. Lá somos roubados conscientemente. Sabemos que cada garfada de picanha vai custar uns 20 mangos. Mas vale a pena. Esse Vento Haragano, como diz a avó do João, não é pra repetir.
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