segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Troque seu Kibon por um desses



É um lugarzinho pequeno, quatro ou cinco mesas de plástico, meia dúzia de freezers espalhados, uma única atendente no caixa, nenhum maldito cesto de lixo e... uns 50 sabores de sorvetes, picolés na maioria. O povo se amontoa na calçada e vai escolhendo os palitos.

Fica difícil chupar um só... Quem gosta dos sabores manjados, até encontra um de chocolate, uva, limão ou côco. E pára quase por aí. Legal é explorar as muitos frutos do norte e nordeste do país, além de algumas invenções deliciosas que acabei provando num tarde de mais de 30 graus. Umbu, tapioca, cajá, tamarindo, graviola... Destaco três sabores: o conhecido caju, cujos fiapos saem na boca; o de abóbora com côco (tomei dois...) e o de groselha, muito bom. O de tapioca, de massa, deveria compor alguma sobremesa. Vou pensar no caso.

O nome da sorveteria é Frutos do Cerrado - e merece toda a nossa atenção e  reverência, principalmente nos domingo tórridos que vão se repetir deste novembro pra frente.

Frutos do Cerrado - Rua dos Pinheiros, 320 - Pinheiros

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Melhor aqui do que lá

Dia desses fui almoçar no Colher de Pau, típico nordestino instalado no Itaim. Havia conhecido a casa em Fortaleza, anos atrás, e a experiência foi bem mais-ou-menos... Lá no Nordeste, vestido de turista, mergulhei nos pratos típicos e descobri que, pelo menos por lá, impera a ditadura do coentro. Tudo, da moqueca à caipirinha, leva esta bendita erva, que transforma qualquer prato numa coisa só: em coentro...

Tem coisas que deveriam vir com um aviso estampado: use com moderação. Incluo neste rol de produtos "perigosos" os perfumes, o cominho e o tal coentro. Quando voltei ao Colher de Pau, agora em SP, me preparei para pedir algo que não tivesse o ingrediente. Como lá os pratos são para duas pessoas, acabei cedendo ao desejo do meu colega de mesa e caímos justamente numa típica Carne de Sol desfiada...

No cardápio, o prato vem com a descrição detalhada e traz em destaque, quase que como uma advertência, que a receita tem a erva maldita (a medida que escrevo, a raiva aumenta): carne de sol desfiada puxada na manteiga de garrafa, cebola roxa em rodelas, servido com baião de dois (coentro), paçoca, banana frita, batata doce e macaxeira.

A surpresa foi que, ao contrário do que eu imaginava, o cozinheiro da filial São Paulo não carregou a mão no tempero e o prato acabou descendo maravilhosamente bem. A mistura da carne de sol com o baião de dois, regado duplamente com manteiga de garafa, tem que entrar na lista de manifestações culturais tombadas pelo patrimônio histórico nacional.  A coisa combina bem, tem uma regionalidade harmonica, usa com sabedoria (sem coentro) os ingredientes simples da nossa terra, como o arroz, a carne seca, o feijão verde, a mandioca, a banana...

Enfim, a experiência paulistana reposicionou o restaurante no meu conceito gastronômico. Não recomendo para quem está brigando com o peso - o que é o meu caso -, mas deste prazer só abro mão quando a balança bater nos 200.

Colher de Pau - Rua Dr. Mario Ferraz, 563 - Itaim Bibi

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Detalhes. Detalhes?


A Vinheria Percussi, em Pinheiros, é notadamente um dos melhores italianos da cidade. Tem um  cardápio esmerado, sofisticado e muito bem executado pelas mãos da Silvia Percussi, que pilota a cozinha da casa. A carta de vinhos é bem montada e o lugar, agradabilíssimo.
Frequento o restaurante da Conego Eugênio Leite há uns 6 ou 7 anos. Intensifiquei minhas visitas desde que começamos a trabalhar com um fornecedor estratégicamente instalado na mesma rua, o que quase me obriga a marcar reuniões que começam ou terminam com almoços naquele lugar...
Semana passada almocei por lá. Normalmente, pediria um risotto ou uma carne de cordeiro com polenta, minhas preferências no menu, mas resolvi experimentar - pela primeira vez! - uma massa da Vinheria. Na verade, escolhi o prato executivo do dia, que oferecia duas opções: entrada com salada verde e brusquetta, nhoque ao sugo ou polenta com ragu de vitela, e sobremesa. Convenci o garçom a me trazem um pouco de cada e ataquei primeiro a polenta com ragú, bem gostosa, apesar de achar que a polenta poderia estar um tantinho mais mole, para absorver melhor o molho da carne. Passou com um 7 e meio.   
O nhoque foi surpreendente. Uma das melhores massas de nhoque (uniqueness!) que já provei. Deliciosa, leve, escandolsamente suave e saborosa. Aí veio o escorregão imperdoável... O molho de tomate estava longe, mas muito longe do capricho e da qualidade da massa. Estava meio ácido, ralo, sem graça. Quase estragou o prato. Uma pena... Levou 10 na pasta e meio no molho.
Prefiro acreditar que erraram na mão naquele dia, pois não dá pra conceber um restaurante daquele quilate, com foco na cozinha italiana, que não sabe fazer um molho de tomate decente.
De qualquer forma, a Vinheira continua entre meus top 10 da cozinha italiana de SP.


Complementando o post do Soderi...  Minha ida à Vinheria aconteceu na última Restaurant Week.  Fui lá sem recomendações ou indicações e fiquei bem feliz.  Escolhi um dos itens da Restaurant Week, que era o Spaghetti ao ragu de ossobuco.  Execução perfeita, Spaghetti al denti, com o ossobuco desfiado em molho de tomate super suave.  Mas o que me chamou a atenção mesmo foi o prato que minha mulher escolheu, o Risotto de limão siciliano com ragu de funghi. ESPETACULAR! Talvez o melhor que eu já comi.  Perfeito, al denti no ponto, com sabor de limão siciliano na medida e o funghi sem sobrepor o sabor, perfeito com queijo parmesão.  Incrível.  Quase mandei trocar meu prato.
De quebra ainda descobri um vinho muito, muito bom, com preço honesto: um Farnese Montepulciano Casale Vecchio 2006 - eu não sei dizer se é amadeirado ou frutado, ou se tem fundo de pele de camelo ou taninos acentuados...  O que eu sei é que, como os outros Farneses que eu experimentei, ele é delicioso e desceu fazendo carinho na garganta - um dos melhores que eu já tomei.


JLN 


Vinheria Percussi - Rua Cônego Eugênio Leite, 523 - Pinheiros

domingo, 20 de setembro de 2009

Melhores de SP 2009/2010

A Vejinha publicou agora seu ranking dos melhores bares e restaurantes SP em 2009/2010.
Deixo meu registro de reconhecimento e admiração por dois mui queridos premiados, mais uma vez, nesta edição: salute Pasquale, salute Yokoyama.  

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Não Deixe para Amanhã o que se Pode Fazer...

Oggi! Uma descoberta! E uma boa descoberta nessa minha "fase vinhos". Bom, minha vida acabou depois que eu bebi o Farnese Edizione - um vinho italiano feito com cinco uvas da região de Abruzzi. Eu era feliz e não sabia. Daí pra frente foi ladeira abaixo, resolvi ler o "Billionaire's Vinegar" que conta uma boa parte da história dos vinhos franceses e desde então esse tem sido um ralo de dinheiro... Mas voltando ao objeto do post, o Oggi é um restaurante diferente. Ele fica numa espécie de vila em plena Av. Faria Lima e é colado a uma loja de vinhos, por sinal muito boa, que se chama Gran Vin. Ele se destaca por duas características, inicialmente: por ter um cardápio com sugestões de harmonização (uma lista de vinhos sugeridos para cada prato do menu) e por você poder comprar o vinho na loja (com o preço de loja e não de restaurante) e levá-lo à mesa.

Na primeira vez que estive lá, pedi o famoso filet mignon com risotto e tive uma surpresa...  Fazia tempo que não comia uma versão tão caprichada desse prato tão simples.  O molho de vinho com o sabor no lugar certo, com aquele fundinho adocicado, o filet grelhado no ponto exato, ainda molhado e o risotto consistente e al dente como poucos que comi em restaurante - tudo isso acompanhado de um serviço primoroso, num nível de atenção que há muito tempo não via.  Enfim, receita certa para retornar.  Na segunda vez que fui, pedi um prato do festival de polentas deles: polenta mole com ragú de vitela.  Não sei dizer o que era melhor, se eu estava com saudades do filet ou se aquela polenta era a mais perfeita que já tinha pousado em meu prato.  Enfim, mais argumentos para voltar lá e tirar a prova.

E último detalhe, me chamou a atenção a cozinha exposta deles, onde se pode ver os pratos sendo finalizados.

JLN

Oggi Cucina & Vino - Av. Faria Lima, 4.433, Vila Olímpia - (11) 2843-8888

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Pra quem não gosta de peixe

Sempre fui muito resistente a incorporar peixes, crustáceos & afins no meu cardápio. Desde criança, o gosto de mar nunca caiu bem ao meu paladar. Comecei a quebrar esta barreira sem sentido já velho, com algumas experiências bem sucedidas em alguns restaurantes onde não havia outra possibilidade de escolha.

Um desses restaurantes é o Compagnia Marinara, no Alto de Pinheiros. Já era um comensal até que regular de alguns pratos "aquáticos", mas nunca havia encontrado um lugar que justificasse trocar uma massa ou carne por um peixinho qualquer. Há dois anos fui convidado para um almoço de negócios neste endereço. Até havia opções de alternativas aos pescados, mas achei que seria uma boa oportunidade para ampliar meu leque de experiências neste segmento - até porque trata-se de um restaurante especializado no tema. Experimentei um peixe simples, muitíssimo bem feito, que classifico como a melhor porta de entrada para os que (ainda) são resistentes ao cardápio "aquático".


Este prato é o meu uniqueness deste post. Trata-se de um simples e delicioso Filé de Pescada Siciliano. Duas postas grossas de pescada branca (às vezes substituida por Linguado), acompanhadas de um molho a base de limão siciliano, azeitonas verdes, batatas e azeite de oliva. Numa pequena panelinha de bronze, à parte, vem um saboroso refogado de escarola, que orna perfeitamente com o prato. Para acompanhar, recomendo um Chardonay argentino, da Angela Zapata, preferencialmente das safras 2005 0u 2007. Um belo, simples, leve e saboroso prato para quem não quer sair pesado da mesa, ainda mais num dia de semana. Estive por lá umas 2 ou 3 vezes depois dessa primeira experiência - e repeti o mesmo cardápio...


Continuo sem suportar a idéia de comer camarão, peixes ensopados ou o indefectível salmão ao molho de qualquer coisa, mas já posso dizer que gosto de pescados. Não gosta de peixe e quer corrigir essa falhade caráter gastronômico? Experimenta este prato.


Compagnia Marinara - Av. São Gualter, 777 - Alto de Pinheiros - SP

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Chutando o "poste" da Barraca...

Aproveitando o embalo da ida do Soderi ao Parigi, resolvi contar uma historinha que inicialmente não iria postar... Não quero parecer arrogante ou nada do tipo, por isso pensei 10 vezes antes de postar isso.

Mas como o propósito do nosso singelo e humilde blog é investigar, vamos a mais esta experiência.
Esse tem sido um ano interessante para mim, do ponto de vista turístico. Tive a oportunidade de rever Nova Iorque no início do ano e agora em Julho, graças à portaria da ANAC que abriu concorrência nos preços de passagens internacionais, pude ir a Paris. Estive em Paris apenas uma vez antes, em 1997, mochilando. Me acabei de comer croissant e crepe. Dessa vez decidi que seria um pouco melhor... Nada contra os croissants e os crepes.

Vamos ao que interessa. Fiz uma extravagância gastronômica do maior calibre possível sem pensar no rombo do cartão de crédito depois, afinal, como diz o ditado do viajante, "quem converte não se diverte." Resolvi que experimentaria a tal da Haute Cuisine francesa, pra entender os porquês de falarem tanto dela. Pesquisei alternativas, ponderei avaliações, pensei bastante e o restaurante escolhido foi o L'Atelier de Joël Robuchon. Bom, esse senhor é um dos poucos Chefs 3 estrelas do Guia Michelin (depois eu posto sobre isso, pra explicar um pouco do que se trata). Em Paris ele tem três restaurantes. Um dos motivos desse ter sido o escolhido é o fato de que neste a cozinha é exposta, já que ele não tem mesas, você come sobre um balcão que circunda a área de preparação. Portanto você olha tudo o que acontece e vê os chefs e cozinheiros preparando sua comida - numa cozinha francesa, isso pode ser um espetáculo.

Esse talvez seja o post mais difícil que eu já escrevi, porque tudo, desde a espera no lobby de um hotel, numa rua típica parisiense, foi uma experiência memorável. Ao entrar no restaurante e ver as pessoas lá dentro, preparando inúmeros pratos, como peças de um relógio, silenciosamente e coordenadamente é realmente de arrepiar. Me sentei então na lateral do balcão e me foi entregue o menu. Ele era dividido em duas partes, uma que era a degustação (você seleciona 5 pratos do menu e eles vêm todos em porção reduzida, assim você experimenta um pouco de cada coisa) e a outra que era o menu de fato, com os pratos e opções. Fui para a segunda parte.

Escolhi a entrada, um prato principal e a sobremesa. Pura poesia. Realmente as quantidades são pequenas, mas o prato é preparado como uma obra de arte. Escolhi de entrada o L'oeuf cocotte, dificílimo de explicar. Veio numa taça de dry martini, parecia mais um drink... Achei interessante, algumas texturas diferentes, mas até aí, era ovo. Passei então para o prato principal e aí a brincadeira começou. Bom, num restaurante francês pela primeira vez, eu tinha que pedir o tal do foie gras. O que, nesta pequena iguaria, pode ser tão incrível? Realmente não sei dizer, só sei que o cara que inventou de misturar o tal do fígado de ganso com as trufas da Itália realmente é um dos grandes gênios da humanidade. Aí eu entendi finalmente o porquê do prato ser tão pequeno. Como todo grande prazer na vida, ele dura pouco. Mas vale cada fração de segundo! O purée com trufas era uma coisa indescritível que, quando combinado com os pequenos pedaços de foie gras cuidadosamente cortados por minha faca, criam uma sensação dentro da boca que eu realmente não poderia imaginar, antecipar e/ou reproduzir de outra forma. E para acompanhar tudo isso, claro, um "vinho nacional" de Bordeaux: um Haut Mazeris 2005 cuidadosamente experimentado ao ser aberto pela sommelier da casa que após certificar-se de que o líquido estava bom, despejou-o em taças largas.
Por fim, como se isso fosse possível, veio a sobremesa. Um tipo de eclair bem delicado, com um creme de baunilha inacreditável, coberto por uma fina cúpula de chocolate, que, ao ser servido, recebe uma pequena jarra de mais chocolate quase incandescente. O resultado é que quando o líquido quente encontra a cúpula, ela aos poucos se derrete sobre o eclair. Vou parar por aqui, porque é praticamente uma tortura me lembrar daquilo.

Saí de lá feliz e pobre. Após pagar a fatura do cartão de crédito em prestações, posso dizer que foi, de fato, uma experiência gastronômica que nunca será esquecida - talvez a minha maior.

JLN

L'Atelier de Joël Robuchon - 5, rue de Montalembert, Paris 7th arrondissement.

sábado, 4 de julho de 2009

Paris, belo!


Seguinte: chuto o balde, para fechar em alto estilo o semestre neste blog. Depois de uns dois anos longe de suas mesas, voltei ao Parigi para um business lunch. Almoço longo de sexta-feira, com direito a entrada, dois pratos (santa gula), sobremesa e cafezinho. Pulo as partes modorrentas e repetitivas, normalmente presentes em resenhas dos restaurantes do grupo Fasano, e vou direta aos pontos: um filé de linguado ao molho bernaise, acompanhado de risoto de aspargos, divino como deveriam ser todos os filés de linguado ao molho bernaise. Para beber, um riesling alemão de cair o queixo.

Segundo prato, se é que precisava, foi um filé com foie gras, coberto com molho de trufas. Harmonizado com um Barollo 1995, divino. Sem comentários, sem comparações, sem nada mais além do gosto do banquete que persiste na boca por algumas horas. De sobremesa, o clássico creme brulee, igualmente sensacional.

Entre lágrimas (disfarçadas, para não pegar mal), pedimos a conta - paga pelo amigo convidante, que insistiu para assumir sozinho a despesa. Reclamei por puro charme, mas não achei nada mal, já que a esbórnia passou dos 500 paus...
Parigi - Rua Amauri, 275.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Boa comida carioca

Não muito tempo atrás falávamos que a gastronomia carioca limitava-se a um ou dois restaurantes de hotel, à comida de boteco (que paulistanos importaram, melhoraram e consolidaram como modelo) e ao famigerado Porcão, versão praiana do rodízio multi-carnes (badalado por jogadores de futebol e pagodeiros, caro e inferior ao menor rodízio das marginais de SP).
Mas a capital turística do país virou o jogo de 5, 10 anos prá cá e resolveu tratar melhor do estômago dos que visitam suas paisagens. Entenderam que nem só de praia, biscoito Globo e mate com limão vivem os turistas...
Passei um fim de semana gastronômico no Rio de Janeiro e experimentei dois bons restaurantes, um no Leblon e outro em Santa Teresa. O Garcia & Rodrigues fica na Ataulfo de Paiva, miolo do Leblon. É uma rotisserie/confeitaria com um restaurante no fundo, de cozinha variada e ótima adega de vinhos. Pedi um cordeiro ao molho de ervas, acompanhado de legumes puxados no molho da carne. Bom, quase ótimo. A Fê experimentou um bife de chorizo ao molho bearnaise acompanhado de ótimas batatas fritas. A carne levou 5 e meio (estava meio passada demais) e a batata passou com louvor. Outra boa nota foi o couvert, com pães divinos e patês idem. A sobremesa passou desapercebida (nem lembro o que pedi...). Minha cocnlusão é que trata-se de um restaurante honesto, sem nada excepcional, com uma ótima confeitaria na entrada.
No dia seguinte almocei no Aprazível, em Santa Teresa. A dica número 1 é: esqueça o bondinho e vá de táxi. Você vê o mapa, acha que dá para descer do bonde e andar um pouco a pé até o restaurante e toma um susto. O restaurante fica numa rua que só se sobe com equipamento de alpinista. Agora, o lugar é lindo, muito simpático, bem montado numa casa antiga no alto do morro. O couvert de entrada é um desbunde, com pequenas e deliciosdas porções-de-tudo-um-pouco... O vinagrete de vôngoles, regado com azeite de alho, sobre um pão quentinho poderia ser o prato principal. Pedi uma galinhada caipira: arroz de frango com linguiça mineira, acompanhada de chicória, feijão especial e banana da terra. Muito bom, acima da média. A Fernanda atacou de lasanha campesina: mix de 3 cogumelos e alho poró, ao molho bechamel. Delícia que tentei repetir em casa dia desses e quase acertei. De sobremesa, uma banana ao forno com sorteve e vinho do Porto que não honrou os pratos principais. O restaurante tem um cardápio variado e instigante. Fiquei com vontade de quero-mais...
Só para não deixar passar batido: amobos têm preços de S. Paulo... No primeiro, com couvert, prato principal, sobremesa e um tinto chileno (Casa Carmen), deixei 300 pilas. No do morro, sem vinho e sem contar o táxi, foram 180 paus.

Garcia & Rodrigues - Rua Ataulfo de Piava, 1251 - Leblon - RJ
Aprazível - Rua Aprazível, 62 - Santa Teresa - RJ

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Segunda chance

Há uns três ou quatro anos visitei o Bananeira, no Morumbi. Fui numa noite, na semana da inauguração. Talvez por estar muito no começo da operação, a experiência foi caótica: atendimento ruim, cardápio medíocre, preços desajustados.... Até luz faltou naquela noite.
Como sou um cara do bem e não guardo rancor de ninguém, resolvi voltar lá para o almoço de sábado. Todo mundo merece uma segunda chance...
Aos sábados, pra variar, eles servem um buffet de feijoada. Pulei fora, por motivo já explicado em post anterior - cada um no seu quadrado. Fui num prato regional, carne seca desfiada na manteiga de garrafa com baião de dois (arroz com feijão verde, pimenta biquinho e queijo coalho). Boa apresentação e ótimo sabor. Surpreendente. A Fernanda pediu uma ainda melhor picanha com farofa de banana da terra e palmito pupunha salteado. Carne no ponto e acompanhamentos muito bem executados. Valeu a pedida.
O fechamento foi ainda melhor. As sobremesas ganharam minha menção de uniqueness, em duas versões. Um pout pourri de doces de banana (sorvete, doce cremoso, pastel de banana com canela pé de moleque e creme brule de banana com gengibre) para mim e banana flambada na cachaça e suco de laranja, com sorvete de tapioca e raspas de côco para a Fê. Muito boas e valem a viagem.
A segunda chance do Bananeira abriu uma brechinha de esperança no deserto gastronômico que é o Morumbi...

Bananeira - R. Mal. Hastimphilo de Moura, 417 - Morumbi - SP - www.bananeiramorumbi.com.br