E ontem, passeando pelos domínios do Itaim, após uma frustrada tentativa de incursão ao recém inaugurado Bottega Botta Gallo (casa que tem como sócios os caras do Original), ficamos eu e Soderi à deriva num momento pós chuva. Entre um semáforo e outro, tomando fechada de taxista e desviando de filas duplas, me lembrei de um simpático restaurante onde estive anos atrás, chamado Forneria Tamandaré. Ele ficava na Almirante Tamandaré, travessa da Renato Paes de Barros. Fomos para lá. Ao chegar na dita rua, a surpresa: era a mesma rua do Pomodori e eu não me lembrava disso. E também, mais para dentro, lá estava ele, o mesmo estabelecimento que eu conhecia, só que remodelado, provavelmente de novo dono, agora chamado Vino! Olhamos para os dois, pensamos e, depois de uma rápida discussão sobre a recente migração de tubarões brancos da Nova Zelândia para Fiji, decidimos ficar com o Pomodori.
E lá estávamos, não propriamente vestidos para o ambiente (e cagando e andando para isso - aos mais sensíveis, peço desculpas pelo palavreado), olhando os pratos em volta e antecipando que teríamos uma refeição com R maiúsculo. Bom, após iniciarmos com uma Erdinger bem gelada fomos ao cardápio e por incrível que possa parecer não batemos o olho em nada com tomate, mas no Ossobucco com Risotto Milanese. Prato simples, com molho de redução de vinho, mas vou deixar para o Soderi comentar pois foi ele o felizardo que pediu o dito cujo. Perdendo no par ou ímpar eu fui para o Escalope de Vitela Milanese com Risotto de Funghi Porcini - perfeito também! Desde minha última ida ao Due Cuochi eu não comia um Risotto fora de casa com este grau de perfeição e al denti. Já que é para ser chato, o Escalope estava um pouco exagerado no óleo de fritura, mas nada que comprometesse a integridade molecular do prato. O único jeito mesmo de melhorar este jantar, seria o acompanhamento de um vinho... Mas num jantar entre amigos, no caso dois, pareceria romântico demais dividir uma garrafa... Cerveja é que é coisa de macho! Garçom, vê duas aí! (JLN)
Por mais que o João afirme (e desdenhe) que estávamos inapropriadamente vestidos para o Pomodori, eu me considero bem trajado para o local, com minha camisa de marinheiro. Tava bonitinho e nem notei a Adriane Galisteu comendo salada com vento na mesa ao lado.
Assino embaixo do que o João escreveu: foi um jantar digno de nota. A entrada cortesia do chef foi um (um mesmo!) ravioli de abóbora ao molho de manteiga e sálvia. Bonitinho, mas ordinário. Sem graça quando comparado ao prato principal. Meu ossobuco banhado numa redução de vinho tinto estava no ponto perfeito. Foi devorado sem a ajuda da faca, dispensável para o ponto da carne. Ornou muito bem com o risoto milanse, no ponto exato, saboroso, amarelo vivo, salpicado com os pistilos de açafrão que lhe deram a cor. Seria perfeito se acompanhado de um Barollo ou algum outro tinto bem encorpado. Mas a cerevja desceu bem e, como disse o João, não deu margem para comentários brokebackmountain. (MS)
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