Já é notório aqui no nosso pequeno e singelo Blog que este que vos escreve é um profundo apreciador e experimentador da culinária italiana contemporânea. Pois bem, Nova York tem uma rica história italiana (vide o Poderoso Chefão... rs) e ela deve ser pesquisada e experimentada. Ainda que desta vez em apenas uma oportunidade, mas não poderia deixar de visitar algum dos templos da comida italiana na Big Apple.
Munido de uma grande dica (essa não da minha irmã) fui lá, procurar um tal de Carmine’s. Em Manhattan são dois endereços, sendo um no buxixo e outro mais afastado – esse foi o escolhido, até porque é a casa original. Chegando lá, a aparência de restaurante familiar, com um grande bar na entrada, servindo cocktails, cervejas e qualquer outro tipo de bebida. O interessante nos EUA é que, enquanto você espera, se beber, paga na hora. O bar é o bar e o restaurante é o restaurante, parecem dois estabelecimentos separados. Era almoço, fomos na cerveja. Bebi um chopp Samuel Adams que estava uma delícia, apesar dos copos serem grandes demais deixando a bebida esquentar.
Chega nossa mesa. Ambiente familiar, cara de cantina, não daquelas que estamos acostumados em SP, com coisas que até Deus duvida penduradas no teto. Uma decoração italiana mais discreta, mas bastante elaborada – fotos de Raimundo e todo mundo nas paredes junto com o cardápio completo em algumas partes. Como escolhemos um endereço distante, praticamente éramos os únicos turistas no restaurante, cheio de famílias “Ítalo-novaiorquinas” em mesas sempre de mais de 10 pessoas (era um sábado). Obviamente bastante barulho, me senti em casa.
O cardápio é recheado de massas com molho vermelho, o forte da casa. A escolha recaiu sobre um prato simples, mas que mostra a qualidade do restaurante. Spaghetti ao molho de tomates e polpettes. Parece trivial demais, mas o spaghetti é uma massa complicada, deixá-la ao dente (sem contar a qualidade do grano duro) é quase uma arte. O molho de tomate, o primeiro que eu como fora do Brasil que não é ácido demais e seco ou doce por causa do açúcar pra tirar a acidez. Ainda alguns lugares capricham na pimenta pra compensar a pobreza dos temperos. O molho estava impecável. Grosso, mas não seco, sabor forte de tomates e azeite, condimentos na medida certa e zero acidez. Parecia uma orquestra com a massa. E os polpettes, um fenômeno! Apesar de grandes, eram macios, mas sem vestígios de pão com leite dentro (uma técnica interessante, mas não utilizada nesse restaurante). Cozidos no molho de tomate, caem com o spaghetti como se fossem feitos um para o outro. Enfim, um prato simples, mas perfeito! E gigante! Junto com o pão italiano e um outro que vem com molho de tomate por cima na entrada, não houve espaço pra sobremesa. Nova viagem de ambulância para o hotel e um sorriso no rosto por ter comido comida italiana perfeita que não veio nem da Itália e nem de SP.
JLN
Carmine's - 2450 Broadway, New York e mais um endereço em Manhattan
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