Como ainda estou pensando em como vou categorizar as experiências que passei na Itália, resolvi dividir aqui uma experiência simples, na verdade, um tira teima que tive a oportunidade de realizar. Bom, fora o Polpetone do Jardim de Napoli, quando penso num clássico de origem italiana, a primeira palavra (ou nome) que me vem à cabeça é "Alfredo". Combinado com Fetucine, forma uma denominação quase mitológica. O Fetucine Alfredo é muito, muito famoso no mundo inteiro, mas ao mesmo tempo representa uma grande confusão...
A começar por Roma, não dá pra saber realmente onde ele surgiu. Uma das histórias diz que o Alfredo, em 1914 estava super preocupado com sua mulher, grávida, que não conseguia comer nada. Ele então misturou três ingredientes básicos: fetucine feito com ovos, manteiga e queijo parmesão. Segundo a historinha, era tão simples, tão genial e tão saborosa a combinação que nem a mulher dele resistiu. Essa é a história contada em um dos endereços. No outro endereço, claramente de dono diferente, não tem a historinha, mas eles dizem estar lá desde 1907 fazendo o tal fetucine. Vai entender. De qualquer forma, o escolhido foi o segundo, por parecer mais sério e menos "turístico" do que o primeiro.
Vamos ao que interessa (ou não). A receita original, ao contrário do que se come normalmente em qualquer restaurante que tem o prato no cardápio (não é difícil encontrar um), leva somente estes três ingredientes numa ordem específica de preparo. Não tem nada de creme de leite cozido na panela, bacon ou qualquer outra coisa que não seja macarrão, manteiga e queijo parmesão de primeira. Vem tudo separado em uma travessa e a mistura é cuidadosamente feita pelo garçom já na mesa. Para dar certo, a manteiga tem que ser leve (batida na hora, a partir de creme de leite fresco), o queijo tem que ser de primeira, ralado bem fino (nada de saquinho, pelo amor de Deus!) e o fetucine tem que estar fervendo!
É bem simples e, tenho que concordar, genial. Uns dois anos atrás, eu fiquei obcecado por este prato, pesquisei, li, procurei e consegui reproduzi-lo em casa - não é difícil, só tem que ser feito com cuidado. A grande diferença do original fica por conta de dois detalhes: o queijo, que no caso deles é um parmigiano regiano (dá uma dó ralar um queijo assim aqui em SP) e a massa, que é fresca e muito, muito fina. Portanto, com bastante vontade, dá pra fazer igual, sem ter que ir pra Roma. Claro que tem o charme do lugar, as fotos dos atores, atrizes, artistas incrivelmente famosos que passaram por lá, mas vamos combinar: o que importa mesmo é a comida.
O sorriso de satisfação alcançado é o mesmo que se observa depois de comer um Polpetone. Portanto, são dois pratos que, na minha opinião, levam ao nirvana gastronômico...
Alfredo alla Scrofa - Via della Scrofa 104/a 00186 Roma
2 comentários:
Sem pancetta ou bacon?? Ainda assim fiquei com água na boca. Parece leve demais, sem aquele creme de leite meio over que colocam por aqui. Deve combinar com um vinho menos pesado, mais frutado, mais "adstringente". O que vc bebeu?
Bebi um Nobile de Montepulciano 2007, se não me engano. Era um vinho jovem, combina com massa. E o Alfredo de verdade não tem carne nenhuma, e nem creme de leite em estado bruto.
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