segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Por que é que eu fui gostar de comida Mexicana?

Não tem o menor fundamento.  Não tenho qualquer tipo de ligação com o México, seja em ascendência, seja no lado sentimental, enfim, nunca nem sequer pisei em terras mexicanas.  E mesmo assim me incomoda o fato de ser uma dificuldade tremenda encontrar comida Mexicana de boa qualidade em SP.  Em postagens antigas, eu já declarei que tinha desistido deles depois de uma ida ao El Mariachi, um endereço que um dia já teve boa comida.

Bom, neste final de semana passado veio a sugestão da minha mulher de ir a um Mexicano indicado por uma amiga dela.  Não tinha nenhuma idéia melhor para o almoço, topei.  O local se chama Viva México!, fica na Fradique Coutinho.  É minúsculo, tem poucas mesas e você sai de lá com o cheiro da comida (já que as mesas ficam muito próximas da cozinha), mas não é que é bom?  Aleluia irmãos!!

Comida mexicana de raiz, nada de tex mex.  Comecei com uma entrada de chili e nachos, com uns 5 tipos diferentes de pimentas.  Interessante para fazer experiências, as pimentas são muito saborosas.  E aí veio o prato principal: Taco.  Só que o Taco de verdade vem com a tortilha mole, não com aquela que parece um Doritos gigante.  Os ingredientes vêm todos separados e você monta ele no seu prato do jeito que preferir.  Bom, eu misturei tudo, não quis deixar nada de fora...  Primeiro a tortilha, depois a carne (filet grelhado, no ponto, cortado em tiras), aí o feijão que vem como um tutu, cebola, tomate picado, coentro, aquele creme de leite meio azedo (no tex mex, sour cream), as pimentas e, por fim, até o guacamole (eu nunca tinha comido guacamole e gostado).  Não é que ficou bom?  Um dos melhores que eu já comi e este, aparentemente, Mexicano genuíno.

Saí de lá feliz.  Só a cerveja mexicana é que é intragável.  Fui de Stella Artois, no gargalo, bem gelada.  Nada de Corona, Dos Equis ou qualquer outra porcaria aguada e amarga.  É que eu não estava no clima, mas nunca vi tanta marca de tequila...

Até que enfim uma opção para matar aquela vontade que vem a cada 5 anos!

Viva México! - Rua Fradique Coutinho, 1124, Vila Madalena - SP

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Bonita camisa, Fernandinho


Semana profícua esta... Dois cardápios masculinos (ui!) e com um traço comum:  um eixo estruturante (eita!) baseado em sabores fortes, marcantes.

Almoço de sexta no Nello´s, velho italiano da década de 70, enfiado entre Pinheiros e Vila Madalena. Como entrada, uma deliciosa Puntarelle a la Romana, salada de catalônia com molho de alici. Abertura perfeita para o prato principal, tradicionalíssimo da casa quase quarentona: Fígado a la Veneziana. É iguaria pra quem gosta, é pra macho.  Filetos de fígado ao vinho com cebola e arroz (uniqueness!). Pra mim, é de voltar no tempo, à casa da nonna. Só faltou uma polenta mole pra acompanhar. De sobremesa um tarfufo de tirar o fôlego (uniqueness 2 !!!).

Dois dias antes, fui experimentar um novo prato do Pasquale. O recém criado Mollica, que pedi para regar meu spaghetti tradicional. Coisa prá homem! Catalônia (opa, de novo!), alho, pimenta, alici (!) e migalhas de pão, regados com azeite em abundância. Forte, marcante, um show de sabores que se misturam harmonicamente na boca, do amargo ao picante, com o veludo do azeite para amarrar tudo. Confesso que deconhecia essa combinação gostosa da catalônia com alici, presente nos dois destaques deste post.

Aí vem a pergunta: que raio de título é esse? O Nello, dono do restaurante, é um ator das antigas, que acabou ficando famoso como garoto propaganda de camisa US TOP, na década de 70, começo dos 80. Quem é mais velhinho vai lembrar do velho meio mafioso que puxava o bordão... Bonita camisa, Fernandinho... (http://www.youtube.com/watch?v=b1YhFvgx0M0).

Nello´s - Rua Antonio Bicudo, 97 - Pinheiros (www.nellos.com.br)
Pasquale - não vou repetir. Olha os posts antigos...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Estamos virando Norte Americanos...

Viajei a trabalho...  Normalmente não concedo tempo, nessas oportunidades, a pequenas indulgências, até porque na maior parte das vezes estou sozinho e prefiro ir dormir.  Dessa vez saí do meu "procedimento padrão" e resolvi explorar a praça gastronômica local de São José dos Pinhais, no Paraná.

Confesso que não fiz isso "out of thin blue".  Eu na verdade recebi uma "forte recomendação" de não jantar no hotel que eu estava hospedado e aí a necessidade me puxou para o desafio.  Encontrar um bom restaurante (bom porque já que eu teria que sair do hotel, não fazia sentido ir em algum lugar mais ou menos) me parecia uma tarefa bastante difícil de ser cumprida.  Lógico que eu entrei na internet e pesquisei um pouco sobre São José, quando um nome me chamou a atenção: Madero.  Um grande amigo comentou algo comigo sobre esse restaurante um tempo atrás e eu, na ocasião, pesquisei a respeito e descobri que é baseado na crença de que eles tem o "The Best Burger in the World", sem a menor modéstia.

Fiquei feliz de poder ter um contato com este restaurante em São José.  Até porque, se for mesmo o melhor, tem tudo a ver com o nosso humilde blog...  Mas chega de blábláblá e vamos logo ao que interessa.  A ambientação do lugar é um pouco diferente do que se esperaria de um restaurante que tem como vedete o hamburguer, todo cheio de nove horas, com talheres formais, pratos formais, taças de vinho sobre as mesas.  A iluminação e o ambiente em geral gravitam sobre estes conceitos, portanto, se não lermos o cardápio, acharemos que se trata de um lugar "mais arrumadinho".  O cardápio é simples, com opções de carne, algumas massas, algumas entradas e...  as opções de hamburguer.  O idealizador do local se chama Junior Durski e ele conta, no cardápio, porque ele considera sua criação a melhor da categoria.  O cheeseburger começa com um belo blend de 260 gramas de picanha, fraldinha e bife de chorizo.  Leva uma fatia de cheddar inglês (aí, na minha opinião, um dos pecados - um belo emmental complementaria a carne com muito mais classe) e salada milimetricamente cortada e arrumada entre a carne, o queijo e um pão de hamburguer estilo pão francês, gostoso, crocante.  É clara a influência que ele teve da Lanchonete da Cidade, até na apresentação do sanduíche, que vem enrolado em papel manteiga no melhor estilo Bombom Deluxe.

Estava sozinho, acabei complementando tudo com um chopp (Brahma, ponto positivo, muito bem tirado e geladésimo) e vou dizer...  Se é o melhor do mundo eu não sei (essa categoria é muito ampla), mas está realmente no meu top five (já descontado o fato de que o queijo não ajuda tanto).  O que o diferencia dos outros é a carne, realmente a combinação que ele inventou é maravilhosa - perfeita, saborosa e molhadinha não de gordura (como na Hamburgueria Nacional), mas do próprio "suco" da carne - que é preparada na grelha com lenha.

Repetirei no futuro próximo, conforme eu tenha oportunidade, já que não há uma loja deles em SP e recomendo a quem for a Curitiba, Balneário Camboriú ou Goiânia.

JLN

Restaurante Madero - Rua Jaime Reis, 254 - São Francisco - Curitiba, PR

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Troque seu Kibon por um desses



É um lugarzinho pequeno, quatro ou cinco mesas de plástico, meia dúzia de freezers espalhados, uma única atendente no caixa, nenhum maldito cesto de lixo e... uns 50 sabores de sorvetes, picolés na maioria. O povo se amontoa na calçada e vai escolhendo os palitos.

Fica difícil chupar um só... Quem gosta dos sabores manjados, até encontra um de chocolate, uva, limão ou côco. E pára quase por aí. Legal é explorar as muitos frutos do norte e nordeste do país, além de algumas invenções deliciosas que acabei provando num tarde de mais de 30 graus. Umbu, tapioca, cajá, tamarindo, graviola... Destaco três sabores: o conhecido caju, cujos fiapos saem na boca; o de abóbora com côco (tomei dois...) e o de groselha, muito bom. O de tapioca, de massa, deveria compor alguma sobremesa. Vou pensar no caso.

O nome da sorveteria é Frutos do Cerrado - e merece toda a nossa atenção e  reverência, principalmente nos domingo tórridos que vão se repetir deste novembro pra frente.

Frutos do Cerrado - Rua dos Pinheiros, 320 - Pinheiros

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Melhor aqui do que lá

Dia desses fui almoçar no Colher de Pau, típico nordestino instalado no Itaim. Havia conhecido a casa em Fortaleza, anos atrás, e a experiência foi bem mais-ou-menos... Lá no Nordeste, vestido de turista, mergulhei nos pratos típicos e descobri que, pelo menos por lá, impera a ditadura do coentro. Tudo, da moqueca à caipirinha, leva esta bendita erva, que transforma qualquer prato numa coisa só: em coentro...

Tem coisas que deveriam vir com um aviso estampado: use com moderação. Incluo neste rol de produtos "perigosos" os perfumes, o cominho e o tal coentro. Quando voltei ao Colher de Pau, agora em SP, me preparei para pedir algo que não tivesse o ingrediente. Como lá os pratos são para duas pessoas, acabei cedendo ao desejo do meu colega de mesa e caímos justamente numa típica Carne de Sol desfiada...

No cardápio, o prato vem com a descrição detalhada e traz em destaque, quase que como uma advertência, que a receita tem a erva maldita (a medida que escrevo, a raiva aumenta): carne de sol desfiada puxada na manteiga de garrafa, cebola roxa em rodelas, servido com baião de dois (coentro), paçoca, banana frita, batata doce e macaxeira.

A surpresa foi que, ao contrário do que eu imaginava, o cozinheiro da filial São Paulo não carregou a mão no tempero e o prato acabou descendo maravilhosamente bem. A mistura da carne de sol com o baião de dois, regado duplamente com manteiga de garafa, tem que entrar na lista de manifestações culturais tombadas pelo patrimônio histórico nacional.  A coisa combina bem, tem uma regionalidade harmonica, usa com sabedoria (sem coentro) os ingredientes simples da nossa terra, como o arroz, a carne seca, o feijão verde, a mandioca, a banana...

Enfim, a experiência paulistana reposicionou o restaurante no meu conceito gastronômico. Não recomendo para quem está brigando com o peso - o que é o meu caso -, mas deste prazer só abro mão quando a balança bater nos 200.

Colher de Pau - Rua Dr. Mario Ferraz, 563 - Itaim Bibi

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Detalhes. Detalhes?


A Vinheria Percussi, em Pinheiros, é notadamente um dos melhores italianos da cidade. Tem um  cardápio esmerado, sofisticado e muito bem executado pelas mãos da Silvia Percussi, que pilota a cozinha da casa. A carta de vinhos é bem montada e o lugar, agradabilíssimo.
Frequento o restaurante da Conego Eugênio Leite há uns 6 ou 7 anos. Intensifiquei minhas visitas desde que começamos a trabalhar com um fornecedor estratégicamente instalado na mesma rua, o que quase me obriga a marcar reuniões que começam ou terminam com almoços naquele lugar...
Semana passada almocei por lá. Normalmente, pediria um risotto ou uma carne de cordeiro com polenta, minhas preferências no menu, mas resolvi experimentar - pela primeira vez! - uma massa da Vinheria. Na verade, escolhi o prato executivo do dia, que oferecia duas opções: entrada com salada verde e brusquetta, nhoque ao sugo ou polenta com ragu de vitela, e sobremesa. Convenci o garçom a me trazem um pouco de cada e ataquei primeiro a polenta com ragú, bem gostosa, apesar de achar que a polenta poderia estar um tantinho mais mole, para absorver melhor o molho da carne. Passou com um 7 e meio.   
O nhoque foi surpreendente. Uma das melhores massas de nhoque (uniqueness!) que já provei. Deliciosa, leve, escandolsamente suave e saborosa. Aí veio o escorregão imperdoável... O molho de tomate estava longe, mas muito longe do capricho e da qualidade da massa. Estava meio ácido, ralo, sem graça. Quase estragou o prato. Uma pena... Levou 10 na pasta e meio no molho.
Prefiro acreditar que erraram na mão naquele dia, pois não dá pra conceber um restaurante daquele quilate, com foco na cozinha italiana, que não sabe fazer um molho de tomate decente.
De qualquer forma, a Vinheira continua entre meus top 10 da cozinha italiana de SP.


Complementando o post do Soderi...  Minha ida à Vinheria aconteceu na última Restaurant Week.  Fui lá sem recomendações ou indicações e fiquei bem feliz.  Escolhi um dos itens da Restaurant Week, que era o Spaghetti ao ragu de ossobuco.  Execução perfeita, Spaghetti al denti, com o ossobuco desfiado em molho de tomate super suave.  Mas o que me chamou a atenção mesmo foi o prato que minha mulher escolheu, o Risotto de limão siciliano com ragu de funghi. ESPETACULAR! Talvez o melhor que eu já comi.  Perfeito, al denti no ponto, com sabor de limão siciliano na medida e o funghi sem sobrepor o sabor, perfeito com queijo parmesão.  Incrível.  Quase mandei trocar meu prato.
De quebra ainda descobri um vinho muito, muito bom, com preço honesto: um Farnese Montepulciano Casale Vecchio 2006 - eu não sei dizer se é amadeirado ou frutado, ou se tem fundo de pele de camelo ou taninos acentuados...  O que eu sei é que, como os outros Farneses que eu experimentei, ele é delicioso e desceu fazendo carinho na garganta - um dos melhores que eu já tomei.


JLN 


Vinheria Percussi - Rua Cônego Eugênio Leite, 523 - Pinheiros

domingo, 20 de setembro de 2009

Melhores de SP 2009/2010

A Vejinha publicou agora seu ranking dos melhores bares e restaurantes SP em 2009/2010.
Deixo meu registro de reconhecimento e admiração por dois mui queridos premiados, mais uma vez, nesta edição: salute Pasquale, salute Yokoyama.  

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Não Deixe para Amanhã o que se Pode Fazer...

Oggi! Uma descoberta! E uma boa descoberta nessa minha "fase vinhos". Bom, minha vida acabou depois que eu bebi o Farnese Edizione - um vinho italiano feito com cinco uvas da região de Abruzzi. Eu era feliz e não sabia. Daí pra frente foi ladeira abaixo, resolvi ler o "Billionaire's Vinegar" que conta uma boa parte da história dos vinhos franceses e desde então esse tem sido um ralo de dinheiro... Mas voltando ao objeto do post, o Oggi é um restaurante diferente. Ele fica numa espécie de vila em plena Av. Faria Lima e é colado a uma loja de vinhos, por sinal muito boa, que se chama Gran Vin. Ele se destaca por duas características, inicialmente: por ter um cardápio com sugestões de harmonização (uma lista de vinhos sugeridos para cada prato do menu) e por você poder comprar o vinho na loja (com o preço de loja e não de restaurante) e levá-lo à mesa.

Na primeira vez que estive lá, pedi o famoso filet mignon com risotto e tive uma surpresa...  Fazia tempo que não comia uma versão tão caprichada desse prato tão simples.  O molho de vinho com o sabor no lugar certo, com aquele fundinho adocicado, o filet grelhado no ponto exato, ainda molhado e o risotto consistente e al dente como poucos que comi em restaurante - tudo isso acompanhado de um serviço primoroso, num nível de atenção que há muito tempo não via.  Enfim, receita certa para retornar.  Na segunda vez que fui, pedi um prato do festival de polentas deles: polenta mole com ragú de vitela.  Não sei dizer o que era melhor, se eu estava com saudades do filet ou se aquela polenta era a mais perfeita que já tinha pousado em meu prato.  Enfim, mais argumentos para voltar lá e tirar a prova.

E último detalhe, me chamou a atenção a cozinha exposta deles, onde se pode ver os pratos sendo finalizados.

JLN

Oggi Cucina & Vino - Av. Faria Lima, 4.433, Vila Olímpia - (11) 2843-8888

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Pra quem não gosta de peixe

Sempre fui muito resistente a incorporar peixes, crustáceos & afins no meu cardápio. Desde criança, o gosto de mar nunca caiu bem ao meu paladar. Comecei a quebrar esta barreira sem sentido já velho, com algumas experiências bem sucedidas em alguns restaurantes onde não havia outra possibilidade de escolha.

Um desses restaurantes é o Compagnia Marinara, no Alto de Pinheiros. Já era um comensal até que regular de alguns pratos "aquáticos", mas nunca havia encontrado um lugar que justificasse trocar uma massa ou carne por um peixinho qualquer. Há dois anos fui convidado para um almoço de negócios neste endereço. Até havia opções de alternativas aos pescados, mas achei que seria uma boa oportunidade para ampliar meu leque de experiências neste segmento - até porque trata-se de um restaurante especializado no tema. Experimentei um peixe simples, muitíssimo bem feito, que classifico como a melhor porta de entrada para os que (ainda) são resistentes ao cardápio "aquático".


Este prato é o meu uniqueness deste post. Trata-se de um simples e delicioso Filé de Pescada Siciliano. Duas postas grossas de pescada branca (às vezes substituida por Linguado), acompanhadas de um molho a base de limão siciliano, azeitonas verdes, batatas e azeite de oliva. Numa pequena panelinha de bronze, à parte, vem um saboroso refogado de escarola, que orna perfeitamente com o prato. Para acompanhar, recomendo um Chardonay argentino, da Angela Zapata, preferencialmente das safras 2005 0u 2007. Um belo, simples, leve e saboroso prato para quem não quer sair pesado da mesa, ainda mais num dia de semana. Estive por lá umas 2 ou 3 vezes depois dessa primeira experiência - e repeti o mesmo cardápio...


Continuo sem suportar a idéia de comer camarão, peixes ensopados ou o indefectível salmão ao molho de qualquer coisa, mas já posso dizer que gosto de pescados. Não gosta de peixe e quer corrigir essa falhade caráter gastronômico? Experimenta este prato.


Compagnia Marinara - Av. São Gualter, 777 - Alto de Pinheiros - SP

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Chutando o "poste" da Barraca...

Aproveitando o embalo da ida do Soderi ao Parigi, resolvi contar uma historinha que inicialmente não iria postar... Não quero parecer arrogante ou nada do tipo, por isso pensei 10 vezes antes de postar isso.

Mas como o propósito do nosso singelo e humilde blog é investigar, vamos a mais esta experiência.
Esse tem sido um ano interessante para mim, do ponto de vista turístico. Tive a oportunidade de rever Nova Iorque no início do ano e agora em Julho, graças à portaria da ANAC que abriu concorrência nos preços de passagens internacionais, pude ir a Paris. Estive em Paris apenas uma vez antes, em 1997, mochilando. Me acabei de comer croissant e crepe. Dessa vez decidi que seria um pouco melhor... Nada contra os croissants e os crepes.

Vamos ao que interessa. Fiz uma extravagância gastronômica do maior calibre possível sem pensar no rombo do cartão de crédito depois, afinal, como diz o ditado do viajante, "quem converte não se diverte." Resolvi que experimentaria a tal da Haute Cuisine francesa, pra entender os porquês de falarem tanto dela. Pesquisei alternativas, ponderei avaliações, pensei bastante e o restaurante escolhido foi o L'Atelier de Joël Robuchon. Bom, esse senhor é um dos poucos Chefs 3 estrelas do Guia Michelin (depois eu posto sobre isso, pra explicar um pouco do que se trata). Em Paris ele tem três restaurantes. Um dos motivos desse ter sido o escolhido é o fato de que neste a cozinha é exposta, já que ele não tem mesas, você come sobre um balcão que circunda a área de preparação. Portanto você olha tudo o que acontece e vê os chefs e cozinheiros preparando sua comida - numa cozinha francesa, isso pode ser um espetáculo.

Esse talvez seja o post mais difícil que eu já escrevi, porque tudo, desde a espera no lobby de um hotel, numa rua típica parisiense, foi uma experiência memorável. Ao entrar no restaurante e ver as pessoas lá dentro, preparando inúmeros pratos, como peças de um relógio, silenciosamente e coordenadamente é realmente de arrepiar. Me sentei então na lateral do balcão e me foi entregue o menu. Ele era dividido em duas partes, uma que era a degustação (você seleciona 5 pratos do menu e eles vêm todos em porção reduzida, assim você experimenta um pouco de cada coisa) e a outra que era o menu de fato, com os pratos e opções. Fui para a segunda parte.

Escolhi a entrada, um prato principal e a sobremesa. Pura poesia. Realmente as quantidades são pequenas, mas o prato é preparado como uma obra de arte. Escolhi de entrada o L'oeuf cocotte, dificílimo de explicar. Veio numa taça de dry martini, parecia mais um drink... Achei interessante, algumas texturas diferentes, mas até aí, era ovo. Passei então para o prato principal e aí a brincadeira começou. Bom, num restaurante francês pela primeira vez, eu tinha que pedir o tal do foie gras. O que, nesta pequena iguaria, pode ser tão incrível? Realmente não sei dizer, só sei que o cara que inventou de misturar o tal do fígado de ganso com as trufas da Itália realmente é um dos grandes gênios da humanidade. Aí eu entendi finalmente o porquê do prato ser tão pequeno. Como todo grande prazer na vida, ele dura pouco. Mas vale cada fração de segundo! O purée com trufas era uma coisa indescritível que, quando combinado com os pequenos pedaços de foie gras cuidadosamente cortados por minha faca, criam uma sensação dentro da boca que eu realmente não poderia imaginar, antecipar e/ou reproduzir de outra forma. E para acompanhar tudo isso, claro, um "vinho nacional" de Bordeaux: um Haut Mazeris 2005 cuidadosamente experimentado ao ser aberto pela sommelier da casa que após certificar-se de que o líquido estava bom, despejou-o em taças largas.
Por fim, como se isso fosse possível, veio a sobremesa. Um tipo de eclair bem delicado, com um creme de baunilha inacreditável, coberto por uma fina cúpula de chocolate, que, ao ser servido, recebe uma pequena jarra de mais chocolate quase incandescente. O resultado é que quando o líquido quente encontra a cúpula, ela aos poucos se derrete sobre o eclair. Vou parar por aqui, porque é praticamente uma tortura me lembrar daquilo.

Saí de lá feliz e pobre. Após pagar a fatura do cartão de crédito em prestações, posso dizer que foi, de fato, uma experiência gastronômica que nunca será esquecida - talvez a minha maior.

JLN

L'Atelier de Joël Robuchon - 5, rue de Montalembert, Paris 7th arrondissement.