segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Itália, sempre a Itália!

É lugar comum em SP dizer que um restaurante italiano é bom.  E tem tantos, que mais difícil ainda é dizer que descobrimos um novo!  Pois bem, neste final de semana tive uma grata surpresa!  Fiz uma descoberta nesta área!  Seguindo a indicação de um amigo, fui a um simpático e minúsculo restaurante na Avenida Moema, chamado Café Toscano.

Simpático porque o próprio dono recebe os clientes, porque é todo aberto (parece uma varanda) e porque o cardápio é incansavelmente repetido pelas garçonetes (não tem nada em papel).  Minúsculo porque com três passos você está praticamente dentro da cozinha.  E delicioso porque há muito tempo eu não comia comida italiana caseira, saborosa e preparada com tanto cuidado.  Fui no básico, comi um gnochi ao sugo sem frescura, leve, temperado na medida certa, com bastante queijo parmesão e pão italiano pra limpar o prato depois!  Gnochi é um prato muito difícil, porque quaisquer 2 gramas de farinha a mais são suficientes pra deixar ele "massudo"!  Eu uso ele pra avaliar a competência do chef assim como a pizza Portuguesa nas pizzarias.  O do Toscano passou com louvor - há muito tempo eu não encontrava um lugar de confiança pra comer isso!

E infelizmente não sobrou espaço para a sobremesa, mas volto lá para experimentar!

JLN

Café Toscano - Av. Moema, 444 - Moema

Clássico é clássico. E vice-versa.


Me meti a pedir um polpetone num italiano badalado da cidade, dia desses. Nada melhor que uma experiência decepcionante para confirmar o que a gente acha que sabe, mas fraqueja na frente do cardápio e decide "checar". Não que o tal polpetone fosse ruim, longe disso. Mas está anos luz distante do clássico prato criado e mantido pelo Jardim de Napoli.

Já me sentei à mesa do Jardim pelo menos umas 20 vezes desde que me mudei para SP. Me lembro a primeira vez, em 84 ou 85, quando experimentei o prato famoso acompanhado de um Chianti mais-ou-menos. Dali prá frente, todas as vezes que voltei, pedi o mesmo prato. Não faço a menor idéia se tem algo lá que seja tão bom quanto o polpetone que lhe deu fama. Provavelmente sim. Mas nem quero experimentar.
Assim como não quero mais experimentar um prato ícone em outro lugar senão aquele que lhe deu a fama, como fiz (ou cometi) semana passada. A comparação é sempre cruel. Clássico é clássico, e ponto final.

Jardim de Napoli - Rua Martinico Prado, 463 - Santa Cecília

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Buona gente


Saiu a edição Comer & Beber 2008 da Vejinha e o Pasquale foi eleito, pela 2a. vez, como a melhor cantina de SP. Mesmo considerando injusto eleger um único resturante como melhor em cada categoria (afinal, cada um deveria ter o seu uniqueness), acredito que, nesta categoria, os palpiteiros da Veja SP acertaram na escolha.

Pasquale Nigro é genial. Pilotando seus fogões, recebendo as pessoas no seu restaurante ou compondo sambas na Pérola Negra, este italianinho filho da Puglia é uma peça raríssima. O diminutivo, aqui, não é pejorativo. Ele mesmo conta que sua formação cultural tem muito a ver com o que viu e viveu quando chegou ao Brasil, ainda criança, no pós guerra. Quem não era da "pura elite paulistana" era "inho": italianinho, japonesinho, negrinho...

Com os negrinhos, pegou gosto pelo samba e virou ícone na Vila Madalena. Co-fundador e autor do hino da Pérola Negra, tem mais de 30 sambas compostos e nunca gravados. É um Adoniram que não saiu do gueto. Entre os seus, os italianos de todas as partes da bota, afinou o gosto pela culinária simples e saborosa. Como tantos outros oriundi, meteu um avental e começou a cozinhar pra fora.

No começo, fazia embutidos. Vendia as sopressatas e camponatas para fazer parte das receitas & couverts dos grandes italianos de São Paulo. Depois de muita insistência dos amigos, abriu as portas da fabriqueta e transformou meia dúzia de mesas de um sobradinho na Cônego Eugênio Leite num restaurante de sucesso. Poucos anos depois, na Amália de Noronha, em Pinheiros, tem que colocar a mulher, dona Cleide, para organizar as intermináveis listas de espera, inevitáveis nos finais de semana.

O segredo do Pasquale, na minha modesta opinião de admirador e amigo, é a paixão com que encara a arte de cozinhar e receber as pessoas. No fogão, é simples e tradicional. Não trabalha um cardápio cheio de sofisticações e modernismos. O Thermomix passa longe da sua pia. Faz tudo sair da copa com o gosto que memorizou da sua infância. Por isso é bom. E é bom também como RP. Sabe receber as pessoas. É grosso e reclamão, como um personagem caricato de Pirandello. E é doce e simpático como uma "nonna" de barbas brancas.

Aos meus amigos deste blog, recomendo o Pasquale. Ao meu amigo Pasquale, meu abraço pela nova conquista. Mas, cazzo, não aumenta os preços de novo.

Pasquale: Rua Amália de Noronha, 167 - Pinheiros



segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Ora Pois!

Engraçado quando falo que vou ao restaurante Japonês ou ao Português para as pessoas e todos me olham com espanto: "mas você não come peixe, foi fazer o que lá?"

Pois é gente, não só de peixe vivem esses restaurantes!  Fui ao Ora Pois!, na Vila Madalena, e o que me chamou a atenção foi o fato de ser um Português bacana, charmoso e com bons preços! Tenho meio medo dos Portugueses - bacalhau é sempre muito caro, alguém instituiu isso e ponto final.  O restante dos pratos vai na cola.  Neste Português não...  E comi um belíssimo prato de alheira, uma linguiça tradicional portuguesa, feita com três tipos diferentes de carne de porco, pão, azeitonas e condimentos.  O prato vem com ovo frito, arroz e batatas fritas.  Recomendo.

As sobremesas podiam ser mais bem servidas, aliás, característica dos portugueses em geral com mesas fartas, mas não chega a ser um mico.

JLN

Ora Pois! - Rua Fidalga, 408, Vila Madalena

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

"Não é pra Repetir" - Desisti dos Mexicanos

Nunca tiveram grandes ambientes aqui em São Paulo.  Engraçado como apesar de sermos a capital mais internacional do mundo (do ponto de vista gastronômico), nunca um restaurante mexicano virou aqui de verdade.  Nunca foram febre ou nunca houve um cultuado.  Talvez pelos condimentos, talvez pelo ambiente, mas o fato é que quando se quer algo dos nossos amigos ali de cima, temos que nos contentar com a tequila.

Eu gosto muito de Fajitas, um prato mexicano que você mesmo monta na hora de comer.  Com tortilhas soft de milho, filet grelhado cortado em tiras com cebolas e pimentões, pico de galo, sour cream, alface, cebola e guacamole, é uma delícia!  Tinha um que se salvava em SP, o El Mariachi, na Rua dos Pinheiros.  Recentemente estive lá, ávido por um belo prato de Fajitas...  Me senti assaltado, pra não dizer outra coisa.  Dois garçons, aparentemente recém contratados e sem treinamento para atender a casa toda, comida fria e sem capricho, com ingredientes aquecidos num micro ondas que eles não fizeram a menor questão de esconder e, o pior, cerveja quente!!

90 Reais mais pobre e com a sensação de que teria um revertério com aquela comida, solenemente me despedi do México em São Paulo.  Quando eu quiser Fajitas, ou viajo para lá, ou tenho que tapar o nariz e fazer uma visita ao Friday's (que pelo menos é limpinho).

JLN

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Miguel não é Português?

Em Moema, numa daquelas esquinas que parecem com todas as outras do bairro (me perco toda vez), fica o Chopp do Miguel. Com ambientação Alemã (duvido muito que alguém lá já tenha ido pra Alemanha) na parte original, que compreende a construção de alvenaria e ambientação zetaflex na parte de fora, eles servem, na humilde opinião deste que vos escreve, o melhor Steak Tartare da cidade. Habilmente preparado pelo garçom, na mesa, com generosa porção de carne fresca de primeira, páprica, cebola, ovo cru, mostarda escura, alcaparras y otros segreditos más (dentre os quais, alguns mililitros de conhaque), é de não querer parar de comer. A vantagem é que eles não regulam nas fatias de pão de forma preto e pelo fato de ser preparado na hora, a gente pode pedir pra adicionar ou tirar alguma coisa que nem sempre agrada (no meu caso, o aliche, anchova, seja lá o que for aquilo).

E como não só de carne crua vivem os bons bares, destaque para a porção de pastel que também é difícil de ser batida (tanto pelo tempero quanto pela quantidade) e para o chopp, que nos dias de mais movimento não deve nada para os tradicionais de SP.

Quer carne crua, vá no Chopp do Miguel!

JLN

Chopp do Miguel - Avenida Moema, 829, Moema

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sujinho, o bar das putas


Frequento o Sujinho desde meados dos anos 80. Desde aquela época, o cardápio não mudou e a clientela mais interessante continua disputando suas mesas nas madrugadas da cidade. Deram um tapa no figurino do lugar, fizeram um mezzanino mais chique (entenda-se: as cadeiras agora são todas do mesmo modelo...) e abriram duas filiais - uma quase em frente, na Consolação, outra na av. Ipiranga. Mas o que importa mesmo é que os grelhados que eles preparam continuam muito saborosos. Tem o melhor T-bone da cidade (Unq), disparado. E ótimas carnes mais tradicionais, como o lombo e a picanha. Os acompanhamentos são simples e clássicos: salada de repolho, cebola, mandioca frita e batata. Com uma Serramalte gelada...


Sujinho: Consolação com Matias Aires - Cerqueira César.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Carne!

Opção de fim de semana, quando não se quer sair de casa e dá aquela preguiça de pensar no que fazer pra comer. Tem um açougue no Morumbi que faz assados aos sábados e domingos. É o Santa Bárbara Central de Carnes. Tem de tudo: picanha, maminha, fraldinha, costela, cordeiro, linguiça, frango e uma infinidade de acompanhamentos, da farofa à batata. Tudo muito bem feitinho, com antedimento cuidadoso e preços na média.

Depois das 11h, tem fila sempre. Vale a pena encomendar com antecedência. Recomendo a fraldinha, a costelinha de porco e o frango assado (excepcional). O açougue é bem acima da média. Oferece da tradicional picanha à carne de javali.

Santa Bárbara Central de Carnes - Rua dos Três Irmãos, 524 - Morumbi (www.stabarbara.com.br)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Eu descobri!

Nos idos de 1990, no começo da adolescência, eu morava ao lado da Cidade Universitária. Voltava da escola e ia com minha Caloi 10 passar a tarde na USP tentando encontrar ladeira pra descer. No final da tarde, com toda a garotada que me acompanhava no sobe e desce da Rua do Matão, tirávamos meia hora pra descobrir quem, de todas as barraquinhas que lá habitavam, fazia o melhor de todos os Cachorros Quentes.

Numa bela tarde finalmente descobrimos, num lugar pouco convencional lá dentro, o rapaz que impressionava pela destreza das mãos. Ele preparava um Cachorro Quente completo (maionese, catchup, mostarda, vinagrete, catupiry, batata palha, milho e purê de batatas - sem ervilhas, ele era um purista) em menos de 30 segundos!! A técnica era tão apurada que conseguíamos comer aquele monstro (normalmente com duas salsichas) sem derrubar nadinha. Os ingredientes, todos de primeira, sempre garantiam o sabor diferente do lanche.

Essa barraquinha continua lá (verdade que pelo giro que eles têm, não costumam trabalhar longas horas) e, se você tiver a oportunidade de passar por lá na hora do almoço, recomendo fortemente um completo de duas salsichas acompanhado de uma Fanta Uva (que é para dar a liga).

Qual não foi minha surpresa em 2000 quando justamente esse rapaz estava com o rosto estampando a foto de campeão da Veja São Paulo como o melhor Cachorro Quente da cidade! Foram tri campeões. Que orgulho, eu descobri!

JLN

Super Hot Dog - Rua do Estádio, Cidade Universitária - Barraquinha com o pai e o filho - vá onde estiver a fila de gente.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Boa nova


Detesto shopping center. Fujo, sempre que possível. O novo shopping Cidade Jardim, então, me causa náusea. Estive lá por curiosidade antropológica, dias atrás. Tem o Nonno Ruggero, padrão Fasano, uma Lanchonete da Cidade, bons sandubas, e uma novidade que vale a visita (ou quase...). Direto do Rio para SP, abriram por lá um quiosque da sorveteria Mil Frutas. Uma delícia. Recomendo o sorvete de chocolate com raspas de laranja (Unq). Bem melhor que a casquinha de isopor do Mc Donald's... Tome coragem, tape o nariz, desvie dos mauricinhos com camiseta de jogador de pólo e experimente.