quarta-feira, 28 de abril de 2010

É de boa família, mas...

O título pode enganar, então esclareço logo de cara: o restaurante é bom. Mas eu esperava um pouco mais, sendo o tal da estirpe do Due Cuochi... Experimentei o Le Marais, um bistrô bem montado no Itaim, com leve pendor para os pescados e afins.

O cardápio é simples, clássico. Tem de steak tartare à croque monsieur, passando por convidativas opções de risotos, carnes e peixes. Pedi um fílé de linguado com um suave molho de alcaparras, acompanhado de excelente purê de mandioquinha gratinado. A Fernanda pediu uma espécie de rosbife regado a molho bernaise, acompanhado de batata gratinada. Os pratos corretos, bem servidos, mas nenhume deles me fez suspirar de satisfação, muito menos chorar de emoção. Como disse, sendo filho do Due Cuochi, a régua estava alta...

A carta de vinhos é pequena, mas bem escolhida. Achei o sobrepreço excessivo em alguns rótulos (um Montes Alpha CS 2007 estava custando 180 paus, quase o dobro do que se paga na importadora). Tomamos um Chardonay argentino, meia garrafa, que esqueci a marca, bem razoável.

O ponto negativo ficou para o serviço, um tanto impessoal e frio, e para o som ambiente, muito alto (pedimos para abaixar e o garçom antipático fingiu que atendeu) e recheado de músicas francesas - chatas e enjoativas como só os franceses conseguem fazer...
Por fim o preço: padrão Due Cuochi, onde duas pessoas e uma gafafa de vinho não resultam em nada com menos de 3 dígitos na conta.  

Le Marais - Rua Jerônimo da Veiga, 30 - Itaim Bibi

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Na Casa do Chapéu...

Já tinha lido sobre esse restaurante...  Talvez pela tal da entrada com porta pivotante ou talvez pelo histórico de uma das sócias, que já passou pelas cozinhas de outros ilustres de SP...  O fato é que num sabadão daqueles, com um sol de rachar e a perspectiva de encontrar lugares lotados, apontei a proa para o Ipiranga e fui conferir pessoalmente o Nico Pasta & Basta.

Confesso que para quem não vai muito para aqueles lados, dá uma preguiça andar a Ricardo Jafet quase que inteira, mas vale a viagem.  Uma vez no bairro, o lugar é fácil de ser encontrado, até porque ele tem um lado externo modernoso, que não orna muito com o que está em volta.  A entrada realmente é muito bacana, com uma porta pivotante gigante e ladrilhos hidráulicos coloridos por toda a volta.  Lá dentro, o salão é amplo, com pé direito bem alto, um teto de vidro e a cozinha, atrás de um vidro, toda exposta ao fundo.  No dia que eu e o Soderi passarmos para atrás dos balcões, quero que seja assim...  E by the way, a tal da chef estava lá.

Bom, vamos ao que interessa...  Não sei qualificar a carta de vinhos do local.  Bebi foi cerveja mesmo, o dia estava muito quente.  A cerveja estava perfeita.  O local não estava cheio, então acho que a falta de giro ajudou.  O couvert é ótimo, pão delicioso, variedade nos acompanhamentos.  Ofereceram uma tal de muzzarella de búfala que estava bem bonita, mas já tinha tanta coisa que não experimentamos.  O cardápio é variado.  Não é nem cantina, nem restaurante francês, fica no meio do caminho.  Tem uns pratos mais sofisticados, outros mais simples.  Fui no simples: gnocchi.  Muito bom, leve, gostoso, mas com um pecadinho...  Fala baixo por favor: tinha um pouco de creme de leite no molho de tomate!  Mas tudo bem, tava gostoso mesmo assim.  Vou até colocar a foto.
A Aline pediu um prato que estava impecável, a polenta com calabreza.  Sensacional!  De qualquer jeito, quero voltar lá, de preferência à noite, pra experimentar a carta de vinhos dos caras.  E aí vou para alguma coisa diferente, testar de verdade esse cardápio.

Na minha opinião vale a pena experimentar.  Lugar diferente, bonito, serviço muito, muito bom.  E no almoço de Sábado, uma ótima opção, já que não é o horário cheio deles.  Se quiser fugir das filas de espera, vá ao Nico.

Nico Pasta & Basta - Rua Costa Aguiar, 1586, Ipiranga - www.nicopastabasta.com.br

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Cerveja é que é coisa de homem!

E ontem, passeando pelos domínios do Itaim, após uma frustrada tentativa de incursão ao recém inaugurado Bottega Botta Gallo (casa que tem como sócios os caras do Original), ficamos eu e Soderi à deriva num momento pós chuva.  Entre um semáforo e outro, tomando fechada de taxista e desviando de filas duplas, me lembrei de um simpático restaurante onde estive anos atrás, chamado Forneria Tamandaré.  Ele ficava na Almirante Tamandaré, travessa da Renato Paes de Barros.  Fomos para lá.  Ao chegar na dita rua, a surpresa: era a mesma rua do Pomodori e eu não me lembrava disso.  E também, mais para dentro, lá estava ele, o mesmo estabelecimento que eu conhecia, só que remodelado, provavelmente de novo dono, agora chamado Vino!  Olhamos para os dois, pensamos e, depois de uma rápida discussão sobre a recente migração de tubarões brancos da Nova Zelândia para Fiji, decidimos ficar com o Pomodori.


E lá estávamos, não propriamente vestidos para o ambiente (e cagando e andando para isso - aos mais sensíveis, peço desculpas pelo palavreado), olhando os pratos em volta e antecipando que teríamos uma refeição com R maiúsculo.  Bom, após iniciarmos com uma Erdinger bem gelada fomos ao cardápio e por incrível que possa parecer não batemos o olho em nada com tomate, mas no Ossobucco com Risotto Milanese.  Prato simples, com molho de redução de vinho, mas vou deixar para o Soderi comentar pois foi ele o felizardo que pediu o dito cujo.  Perdendo no par ou ímpar eu fui para o Escalope de Vitela Milanese com Risotto de Funghi Porcini - perfeito também!  Desde minha última ida ao Due Cuochi eu não comia um Risotto fora de casa com este grau de perfeição e al denti.  Já que é para ser chato, o Escalope estava um pouco exagerado no óleo de fritura, mas nada que comprometesse a integridade molecular do prato.  O único jeito mesmo de melhorar este jantar, seria o acompanhamento de um vinho...  Mas num jantar entre amigos, no caso dois, pareceria romântico demais dividir uma garrafa...  Cerveja é que é coisa de macho! Garçom, vê duas aí! (JLN)

Por mais que o João afirme (e desdenhe) que estávamos inapropriadamente vestidos para o Pomodori, eu me considero bem trajado para o local, com minha camisa de marinheiro. Tava bonitinho e nem notei a Adriane Galisteu comendo salada com vento na mesa ao lado.
Assino embaixo do que o João escreveu: foi um jantar digno de nota. A entrada cortesia do chef foi um (um mesmo!) ravioli de abóbora ao molho de manteiga e sálvia. Bonitinho, mas ordinário. Sem graça quando comparado ao prato principal. 
Meu ossobuco banhado numa redução de vinho tinto estava no ponto perfeito. Foi devorado sem a ajuda da faca, dispensável para o ponto da carne. Ornou muito bem com o risoto milanse, no ponto exato, saboroso, amarelo vivo, salpicado com os pistilos de açafrão que lhe deram a cor. Seria perfeito se acompanhado de um Barollo ou algum outro tinto bem encorpado. Mas a cerevja desceu bem e, como disse o João, não deu margem para comentários brokebackmountain. (MS)

Pomodori - Rua Dr. Renato Paes de Barros, 534 - Itaim Bibi (www.pomodori.com.br)

sábado, 16 de janeiro de 2010

50!

50 posts publicados em um ano e quatro meses formam um razoável elenco de impressões variadas sobre comes & bebes. No mínimo, é um roteiro para o Imposto de Renda rastrear onde temos investido um bom pedaço do nosso dinheiro ao longo destes últimos 16 meses... Investimento prazeroso, registre-se. De qualquer forma, tanto o dinheiro gasto quanto os palpiltes sobre cada prato experimentado parecem não ter chamado muito a atenção nem de internautas desavisados, nem da receita federal, apesar dos esforços literários, das calorias ingeridas e das faturas dos cartões de crédito... 
Este post número 50 - bem como cada uma das linhas digitadas neste blog gastropinativo - simboliza e acalenta o desejo confesso dos seus autores de, algum dia, saltar para o outro lado do balcão. Queremos desgustar e oferecer; desejamos comer e cozinhar; adoramos criticar e adoraríamos ser vidraça... Um belo dia, mais cedo ou mais tarde, publicaremos o último post como comensais e convidaremos para a inauguração da nossa casa, do nosso bar, do nosso restaurante. E esperamos, com fé e confiança, que o novo empreendimento faça mais sucesso e atraia mais a atenção do que este querido mas quase anônimo blog...

No meio desta semana experimentamos o Saj, um libanês bem montado no meio dos bares da Vila Madalena, eleito pela Vejinha como o melhor Bom e Barato do ano passado.
O lugar é pequeno e agradável e, de fato, merece o título pretencioso que recebeu da revista. É bom (sem ser ótimo) e barato. Pedimos esfihas de entrada, junto com kibe cru (tradicional e indispensável para a avaliação de um árabe-libanês), chancliche e uma porção variada de pães. Como pratos principais, fomos de kafta e arroz com lentinhas. 
Na minha leitura, o ponto forte foi justamente o ótimo kibe cru, muito saboroso na combinação com o queijo temperado. Já vi vários restaurantes árabes mais "estrelados" escorregarem no preparo deste prato tradicional. O segundo destaque veio com a conta: um farto jantar, variado e regado a cerveja Original, por pouco mais de 50 pilas por cabeça. Barato. E bom. (MS)

Pra complementar o post do Soderi, eu queria comentar justamente a porção de pães.  Não é segredo pra ninguém que me conhece que o melhor pão sírio de SP, na minha opinião, é o do Brasserie Victória...  Mas no Saj, o simpático foi eles servirem o pão folha, que nem sempre vem à mesa nos sírio-libaneses.  Muito bom, leve, quente e saboroso.  Combinou muito bem com o kibe cru, a coalhada seca e o chancliche.  O pão sírio ficou em segundo lugar - melhor posicionado no meu ranking do que, como diz o Soderi, muito restaurante estrelado por aí.  Realmente o restaurante não impressiona em nenhum item isolado, mas vale pelo "conjunto da obra".  Boa pedida! (JLN)

Saj - Rua Girassol, 523 - Vila Madalena (www.sajrestaurante.com.br)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Os Grandes Também Erram!

Pois é...  Fui almoçar na Lanchonete da Cidade hoje...  E apesar de ser uma Terça Feira, a semana de Natal permite um choppinho só pra deixar a tarde divertida.  Ainda mais lá...  Achando que iria tomar um chopp da Brahma bem tirado, geladinho, no melhor estilo Original.  Pasmem!  Não é que faltou chopp na Lanchonete da Cidade?  Uma catástrofe, o grupo que elevou o padrão do chopp no Brasil para outro patamar, que é uma de minhas maiores referências no business, ficou sem o carro chefe?

Pra nós vermos que até os grandes, de vez em quando, erram.

De qualquer jeito uma pena terminar o ano com uma notícia ruim.  Quem sabe esse é o indício de que começaremos 2010 muito, muito bem?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Por que é que eu fui gostar de comida Mexicana?

Não tem o menor fundamento.  Não tenho qualquer tipo de ligação com o México, seja em ascendência, seja no lado sentimental, enfim, nunca nem sequer pisei em terras mexicanas.  E mesmo assim me incomoda o fato de ser uma dificuldade tremenda encontrar comida Mexicana de boa qualidade em SP.  Em postagens antigas, eu já declarei que tinha desistido deles depois de uma ida ao El Mariachi, um endereço que um dia já teve boa comida.

Bom, neste final de semana passado veio a sugestão da minha mulher de ir a um Mexicano indicado por uma amiga dela.  Não tinha nenhuma idéia melhor para o almoço, topei.  O local se chama Viva México!, fica na Fradique Coutinho.  É minúsculo, tem poucas mesas e você sai de lá com o cheiro da comida (já que as mesas ficam muito próximas da cozinha), mas não é que é bom?  Aleluia irmãos!!

Comida mexicana de raiz, nada de tex mex.  Comecei com uma entrada de chili e nachos, com uns 5 tipos diferentes de pimentas.  Interessante para fazer experiências, as pimentas são muito saborosas.  E aí veio o prato principal: Taco.  Só que o Taco de verdade vem com a tortilha mole, não com aquela que parece um Doritos gigante.  Os ingredientes vêm todos separados e você monta ele no seu prato do jeito que preferir.  Bom, eu misturei tudo, não quis deixar nada de fora...  Primeiro a tortilha, depois a carne (filet grelhado, no ponto, cortado em tiras), aí o feijão que vem como um tutu, cebola, tomate picado, coentro, aquele creme de leite meio azedo (no tex mex, sour cream), as pimentas e, por fim, até o guacamole (eu nunca tinha comido guacamole e gostado).  Não é que ficou bom?  Um dos melhores que eu já comi e este, aparentemente, Mexicano genuíno.

Saí de lá feliz.  Só a cerveja mexicana é que é intragável.  Fui de Stella Artois, no gargalo, bem gelada.  Nada de Corona, Dos Equis ou qualquer outra porcaria aguada e amarga.  É que eu não estava no clima, mas nunca vi tanta marca de tequila...

Até que enfim uma opção para matar aquela vontade que vem a cada 5 anos!

Viva México! - Rua Fradique Coutinho, 1124, Vila Madalena - SP

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Bonita camisa, Fernandinho


Semana profícua esta... Dois cardápios masculinos (ui!) e com um traço comum:  um eixo estruturante (eita!) baseado em sabores fortes, marcantes.

Almoço de sexta no Nello´s, velho italiano da década de 70, enfiado entre Pinheiros e Vila Madalena. Como entrada, uma deliciosa Puntarelle a la Romana, salada de catalônia com molho de alici. Abertura perfeita para o prato principal, tradicionalíssimo da casa quase quarentona: Fígado a la Veneziana. É iguaria pra quem gosta, é pra macho.  Filetos de fígado ao vinho com cebola e arroz (uniqueness!). Pra mim, é de voltar no tempo, à casa da nonna. Só faltou uma polenta mole pra acompanhar. De sobremesa um tarfufo de tirar o fôlego (uniqueness 2 !!!).

Dois dias antes, fui experimentar um novo prato do Pasquale. O recém criado Mollica, que pedi para regar meu spaghetti tradicional. Coisa prá homem! Catalônia (opa, de novo!), alho, pimenta, alici (!) e migalhas de pão, regados com azeite em abundância. Forte, marcante, um show de sabores que se misturam harmonicamente na boca, do amargo ao picante, com o veludo do azeite para amarrar tudo. Confesso que deconhecia essa combinação gostosa da catalônia com alici, presente nos dois destaques deste post.

Aí vem a pergunta: que raio de título é esse? O Nello, dono do restaurante, é um ator das antigas, que acabou ficando famoso como garoto propaganda de camisa US TOP, na década de 70, começo dos 80. Quem é mais velhinho vai lembrar do velho meio mafioso que puxava o bordão... Bonita camisa, Fernandinho... (http://www.youtube.com/watch?v=b1YhFvgx0M0).

Nello´s - Rua Antonio Bicudo, 97 - Pinheiros (www.nellos.com.br)
Pasquale - não vou repetir. Olha os posts antigos...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Estamos virando Norte Americanos...

Viajei a trabalho...  Normalmente não concedo tempo, nessas oportunidades, a pequenas indulgências, até porque na maior parte das vezes estou sozinho e prefiro ir dormir.  Dessa vez saí do meu "procedimento padrão" e resolvi explorar a praça gastronômica local de São José dos Pinhais, no Paraná.

Confesso que não fiz isso "out of thin blue".  Eu na verdade recebi uma "forte recomendação" de não jantar no hotel que eu estava hospedado e aí a necessidade me puxou para o desafio.  Encontrar um bom restaurante (bom porque já que eu teria que sair do hotel, não fazia sentido ir em algum lugar mais ou menos) me parecia uma tarefa bastante difícil de ser cumprida.  Lógico que eu entrei na internet e pesquisei um pouco sobre São José, quando um nome me chamou a atenção: Madero.  Um grande amigo comentou algo comigo sobre esse restaurante um tempo atrás e eu, na ocasião, pesquisei a respeito e descobri que é baseado na crença de que eles tem o "The Best Burger in the World", sem a menor modéstia.

Fiquei feliz de poder ter um contato com este restaurante em São José.  Até porque, se for mesmo o melhor, tem tudo a ver com o nosso humilde blog...  Mas chega de blábláblá e vamos logo ao que interessa.  A ambientação do lugar é um pouco diferente do que se esperaria de um restaurante que tem como vedete o hamburguer, todo cheio de nove horas, com talheres formais, pratos formais, taças de vinho sobre as mesas.  A iluminação e o ambiente em geral gravitam sobre estes conceitos, portanto, se não lermos o cardápio, acharemos que se trata de um lugar "mais arrumadinho".  O cardápio é simples, com opções de carne, algumas massas, algumas entradas e...  as opções de hamburguer.  O idealizador do local se chama Junior Durski e ele conta, no cardápio, porque ele considera sua criação a melhor da categoria.  O cheeseburger começa com um belo blend de 260 gramas de picanha, fraldinha e bife de chorizo.  Leva uma fatia de cheddar inglês (aí, na minha opinião, um dos pecados - um belo emmental complementaria a carne com muito mais classe) e salada milimetricamente cortada e arrumada entre a carne, o queijo e um pão de hamburguer estilo pão francês, gostoso, crocante.  É clara a influência que ele teve da Lanchonete da Cidade, até na apresentação do sanduíche, que vem enrolado em papel manteiga no melhor estilo Bombom Deluxe.

Estava sozinho, acabei complementando tudo com um chopp (Brahma, ponto positivo, muito bem tirado e geladésimo) e vou dizer...  Se é o melhor do mundo eu não sei (essa categoria é muito ampla), mas está realmente no meu top five (já descontado o fato de que o queijo não ajuda tanto).  O que o diferencia dos outros é a carne, realmente a combinação que ele inventou é maravilhosa - perfeita, saborosa e molhadinha não de gordura (como na Hamburgueria Nacional), mas do próprio "suco" da carne - que é preparada na grelha com lenha.

Repetirei no futuro próximo, conforme eu tenha oportunidade, já que não há uma loja deles em SP e recomendo a quem for a Curitiba, Balneário Camboriú ou Goiânia.

JLN

Restaurante Madero - Rua Jaime Reis, 254 - São Francisco - Curitiba, PR

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Troque seu Kibon por um desses



É um lugarzinho pequeno, quatro ou cinco mesas de plástico, meia dúzia de freezers espalhados, uma única atendente no caixa, nenhum maldito cesto de lixo e... uns 50 sabores de sorvetes, picolés na maioria. O povo se amontoa na calçada e vai escolhendo os palitos.

Fica difícil chupar um só... Quem gosta dos sabores manjados, até encontra um de chocolate, uva, limão ou côco. E pára quase por aí. Legal é explorar as muitos frutos do norte e nordeste do país, além de algumas invenções deliciosas que acabei provando num tarde de mais de 30 graus. Umbu, tapioca, cajá, tamarindo, graviola... Destaco três sabores: o conhecido caju, cujos fiapos saem na boca; o de abóbora com côco (tomei dois...) e o de groselha, muito bom. O de tapioca, de massa, deveria compor alguma sobremesa. Vou pensar no caso.

O nome da sorveteria é Frutos do Cerrado - e merece toda a nossa atenção e  reverência, principalmente nos domingo tórridos que vão se repetir deste novembro pra frente.

Frutos do Cerrado - Rua dos Pinheiros, 320 - Pinheiros

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Melhor aqui do que lá

Dia desses fui almoçar no Colher de Pau, típico nordestino instalado no Itaim. Havia conhecido a casa em Fortaleza, anos atrás, e a experiência foi bem mais-ou-menos... Lá no Nordeste, vestido de turista, mergulhei nos pratos típicos e descobri que, pelo menos por lá, impera a ditadura do coentro. Tudo, da moqueca à caipirinha, leva esta bendita erva, que transforma qualquer prato numa coisa só: em coentro...

Tem coisas que deveriam vir com um aviso estampado: use com moderação. Incluo neste rol de produtos "perigosos" os perfumes, o cominho e o tal coentro. Quando voltei ao Colher de Pau, agora em SP, me preparei para pedir algo que não tivesse o ingrediente. Como lá os pratos são para duas pessoas, acabei cedendo ao desejo do meu colega de mesa e caímos justamente numa típica Carne de Sol desfiada...

No cardápio, o prato vem com a descrição detalhada e traz em destaque, quase que como uma advertência, que a receita tem a erva maldita (a medida que escrevo, a raiva aumenta): carne de sol desfiada puxada na manteiga de garrafa, cebola roxa em rodelas, servido com baião de dois (coentro), paçoca, banana frita, batata doce e macaxeira.

A surpresa foi que, ao contrário do que eu imaginava, o cozinheiro da filial São Paulo não carregou a mão no tempero e o prato acabou descendo maravilhosamente bem. A mistura da carne de sol com o baião de dois, regado duplamente com manteiga de garafa, tem que entrar na lista de manifestações culturais tombadas pelo patrimônio histórico nacional.  A coisa combina bem, tem uma regionalidade harmonica, usa com sabedoria (sem coentro) os ingredientes simples da nossa terra, como o arroz, a carne seca, o feijão verde, a mandioca, a banana...

Enfim, a experiência paulistana reposicionou o restaurante no meu conceito gastronômico. Não recomendo para quem está brigando com o peso - o que é o meu caso -, mas deste prazer só abro mão quando a balança bater nos 200.

Colher de Pau - Rua Dr. Mario Ferraz, 563 - Itaim Bibi